O PCP Nas Suas Sete «UCPs» ( Dizer «Quintas» é Muito Burguês)Por António José Carvalho Ferreira
O PCP está pois, em pleno, nas suas sete UCPs.

Por Jornal Rostos
Jerónimo de Sousa abriu o XIX Congresso do PCP (em 91 anos, é só comparar com os partidos "burgueses") com, pelo menos na hora inicial, um brilhante e vibrante discurso. O PCP está, neste contexto económico - afinal a instância "determinante" (e ainda dizem que Marx está "morto") - social e político como Mao Tsé-Tung (ou Zedong) disse que deve estar o revolucionário, "como peixe na água" ou, mais à portuguesa (trata-se de um partido, agora, patriótico), nas suas sete UCPs (Unidades Colectivas de Produção, que isso das "Quintas" cheira a burguesia com pretensões afidalgadas).
Na velha tradição bolchevique dos discursos longos, mas sem serem intermináveis como os de Fidel Castro e do seu mais recente émulo, Hugo Chávez, Jerónimo de Sousa, a quem apelidaram de exemplo mais rematado do "comunismo de sociedade recreativa" (é natural, lá será sempre muito bem entendido) desta vez não ficou afónico e chamou os bois pelos nomes, elencando a série de desmandos, patifarias e asneiras criminosas que os detentores do Poder têm vindo a praticar desde a "nossa" adesão à CEE (o PCP só não terá as mãos absolutamente limpas devido ao seu forte sector autárquico. Neste domínio nenhuma força política marca, entre nós, pela diferença pela positiva, havendo, é certo, um ou outro autarca, ou executivo, que se destaca sem que isso decorra da sua filiação partidária) - a destruição do aparelho produtivo nacional, trocado pela ilusão da "vida fácil" da "terciarização" da economia; a quimera do Euro; a subordinação aos interesses económicos, políticos e geoestratégicos das "grandes potências" europeias e do "tio" da América (que nos paga com a "evasão" da Base das Lajes), a apropriação dos recursos públicos por cliques e o aboletamento devorista dos grandes interesses instalados (Banca e Oligopólios) sempre em prejuízo do Trabalho e das camadas populares.
Afinal a Queda do Muro de Berlim e o consequente desmoronar do Bloco de Leste, não só foram lá muito boas novas como acabaram por constituir das maiores tragédias da História Contemporânea. Não que os regimes do "socialismo real" fossem “flores que se cheirassem”, toda a gente, com um mínimo de honestidade intelectual, sabe o que eram, e no tempo da Guerra Fria a jovem esquerda procurava uma alternativa entre o "quotidiano da miséria" e a "miséria do quotidiano". O fim da URSS, fruto do cerco propagandístico, do colapso económico, mas também de colossais desvios ao projecto socialista em favor da chamada "natureza humana" (ganância, corrupção e abuso de poder) tornou possível a consequente recuperação do velho sonho do capitalismo plutocrático - uma nova (des)ordem mundial do saque e da exploração que o "papão “soviético tinha travado por setenta anos, estava agora aí outra vez na "democrática" ordem do dia - uma síntese "perfeita" dos dois tipos de miséria. Uma nova Idade Média, em versão "high tech", aproxima-se a galope.
A "dialéctica" é o que é, e a História está, ao contrário do que propalaram alguns vendedores de banha-da-cobra, longe da consumação. Parafraseando o título/tema da excelente obra do "camarada" Mário de Carvalho, sem chegar a imitar o Dr. Joel Strosse,"era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto".
É comum observar-se que o nível de vida do País está a regredir (outros, que não vêem com bons olhos que a "plebe" possa "comer bifes todos os dias", dizem até que "tem que regressar") aos índices dos anos 60/70. Pois bem, que assim seja em tudo, principalmente na Política. Perspectiva que não lhes deverá agradar, nesses tempos a sociedade era muito menos amorfa, sendo certo que os hoje inexplicavelmente (ou talvez não) esquecidos "mecanismos de alienação" (ou "aparelhos ideológicos") também acabavam por ser muito menos eficazes. Apesar disso e para utilizar o jargão da época, as "condições objectivas" estão a concretizar-se e à medida que as "massas" forem sentindo na pele os efeitos do grande embuste em que foram enroladas, as "condições subjectivas" amadurecerão necessariamente.
O PCP está pois, em pleno, nas suas sete UCPs.
Avante camaradas!
António José Carvalho Ferreira














