Saltar para o conteúdo
Quotidianos

VENDILHÕES DO TEMPLOPor Armando Sousa Teixeira
Barreiro

Por cada criança com fome! Por cada idoso sem dinheiro para os medicamentos e consultas! Por cada família sem casa, extorquida pela banca! Por cada despedimento e por cada desempregado indignificado! Por cada empresa falida por falta de crédito adequado! – Os novos vendilhões do templo sagrado da Pátria responderão perante a História e perante a soberania democrática do povo.

4 min de leitura
VENDILHÕES DO TEMPLO Por Armando Sousa Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos


1. O sorriso vaidoso do ex-presidente da Argentina nos anos 90 do século passado, Carlos Menem, quando em plena crise económica e financeira é elogiado por uma mesa de grandes empresários e capitalistas pelo “arrojado” programa de privatizações, é ainda hoje uma imagem nauseante e arrepiante.
A cena seguinte agrava o pesadelo : dezenas de aviões da Companhia Aérea Argentina enferrujam amontoados alguns anos depois, quando a transnacional que ganhara a privatização abandonou o país das pampas, depois de ter exaurido os lucros e as mais-valias da empresa antes estatal.
A mesma receita está a ser repetida em Portugal!
Sob a pressão do grande capital financeiro e da sua ideologia ultraliberal, o governo PSD/CDS, quer privatizar o que resta do Sector Empresarial do Estado (neste momento a ANA. a TAP e a RTP).O resultado final irá ser o mesmo que na Argentina, na altura sob intervenção do FMI e das suas políticas de austeridade e miséria.
As privatizações iniciadas por Mário Soares ( agora com um discurso radical, contraditório e inconsequente!), intensificadas por Cavaco Silva/PSD ( hoje como presidente da República, faz o que sempre fez de ideologicamente reaccionário), aprofundadas pelo PS de Guterres/ Sócrates ( Petrogal, EDP energia, PT telecomunicações. Quimigal Siderurgia, Cimpor, etc.),serviram sobretudo para engordar os grupos financeiros e bancários à custa de um País cada vez mais pobre, improdutivo e endividado.
Público é de todos, privado é só de alguns!

2. Com uma clareza meridiana o economista Baptista da Silva do Observatório da ONU/ Programa PNUD, no programa “Expresso da Meia Noite”, arrasou a actual orientação governamental ( e de quem governou nos últimos 15 anos!), que teima em sacrificar mais e mais o povo português, com mais de um milhão de desempregados e três milhões de pobres.
Ao mesmo tempo pôs a nu a profunda hipocrisia da política europeia, fautora e beneficiária desta desgraça. A legião de economistas/académicos, comentadores e políticos seguidistas, coraram de vergonha (se a tivessem!...) até à raiz dos cabelos, perante tais argumentos claríssimos e demolidores. Como alguém disse, contra tais argumentos, não há “factos”, forjados na cartilha do PSD/CDS ( com o conúbio do PS! ), que lhes valham!
Respigamos três ou quatro :

a) Os países do Leste da União Europeia que não embarcaram no “pelotão da frente”, glorificado pelo PS de António Guterres, já ultrapassaram Portugal, que andou para trás com a entrada no Euro.

b) Uma parte significativa da dívida portuguesa (41%) resultou da contracção de empréstimos para co-financiar projectos “impostos” pela Europa. A sua renegociação imediata (justa e patriótica!) significaria uma diminuição de 6,5 mil milhões nos juros do resgate.

c) Em 2011, a Alemanha da senhora Merckel obteve um empréstimo de Bruxelas de 175 mil milhões de euros ( para tapar o buraco de um banco alemão fraudulento, tipo BPN!), com um juro de 1% a três anos! O empréstimo da troika a Portugal de 78 mil milhões, tem um juro médio de 3/4 % a 10 anos, no fim iremos pagar 34 mil milhões só de juros!
Esta extorsão criminosa é elogiada pelo governo Passos/Portas/Gaspar, como uma ajuda amiga!? Com amigos destes…
Não exigir a renegociação imediata da dívida é um crime de lesa-pátria!
Por cada criança com fome! Por cada idoso sem dinheiro para os medicamentos e consultas! Por cada família sem casa, extorquida pela banca! Por cada despedimento e por cada desempregado indignificado! Por cada empresa falida por falta de crédito adequado! – Os novos vendilhões do templo sagrado da Pátria responderão perante a História e perante a soberania democrática do povo.
É urgente correr com esta gente!

Armando Sousa Teixeira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção