DA TAILÂNDIA AO CAMBODJAPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Por Jornal Rostos
Decerto todos recordamos com saudade Camacho Costa, o ator que na Televisão criou figuras como Lelo da Purificação, o cigano espertalhão que tentava sempre dar a volta ao Juiz, rematando sempre os seus (provocados) infortúnios com o desabafo “é a vida…”
Outra figura por ele criada é a do dono da pequena loja em que havia de tudo; nenhum cliente de lá saía sem ter sido devidamente aviado. E, como argumento máximo para a qualidade dos seus artigos, tudo quanto vendia tinha sido importado diretamente da Tailândia.
É certo que nessa altura ainda não tinham proliferado as lojas chinesas, mas aquela referência sistemática à Tailândia parecia eficaz. Era um país distante, desconhecido, um pouco misterioso, mas que dava garantia de uma qualidade a baixo preço que se tornava irresistível para a fiel clientela da pequena loja.
Pois agora somos confrontados com algo semelhante.
A privatização da ANA, a ex-nossa companhia de gestão de aeroportos, teve como compradora um entidade francesa que apresentou como bandeira a operação num país também distante e algo misterioso; não a Tailândia de Camacho Costa, mas o Cambodja, dos Kmers Vermelhos, mesmo ao lado.
Será uma manifestação do mesmo espírito? Espero bem que sim, pois de contrário seria difícil explicar a preferência. Lá que nos sirva de modelo Singapura ou a Malásia, ou mesmo algum país das Américas, ainda vá; mas equiparados ao Cambodja?
Portanto, continuamos na linha do “importado diretamente da Tailândia”, com a pequena nuance de ser “geridos como no Cambodja”.
Como diria Camacho Costa, é a vida…
Nuno Santa Clara














