O Centenário da Cooperativa Cultural Popular BarreirensePor Dourado Mendes
Barreiro
A Cooperativa Cultural Popular Barreirense completa cem anos no próximo dia 24 de Maio.
Mas, para mim, no meu calendário, a minha Cooperativa (1913-2013) já é centenária.

Por Jornal Rostos
Há cem anos, um grupo de operários dos caminhos-de-ferro reuniu, em assembleia geral, e deu vida a uma cooperativa que tinha por fim fornecer aos sócios géneros de qualidade, com rigor no peso e a preço razoável.
Entre os referidos géneros realçava o pão, o que levou os fundadores a escolherem, para a primeira sede, uma casa com condições para instalar a padaria.
Por outro lado, os fundadores não se esqueceram da necessidade de uma biblioteca para empréstimo de livros aos associados.
Pão e livros para os cooperadores foram uma preocupação que esteve presente na fundação da Cooperativa Popular Barreirense.
Apesar das dificuldades financeiras que acompanharam toda a vida da Cooperativa ainda foi possível, na década de 60, abrir duas lojas, uma em Santo André e outra em Santo António, a que correspondeu um significativo aumento de cooperadores.
Entretanto, aparecem as grandes superfícies que dificultam a vida das pequenas cooperativas de consumo, obrigando muitas delas a encerrar a sua atividade comercial.
A Popular Barreirense também não teve outra alternativa que não fosse fechar as suas lojas e alugar parte da sede.
Mas a interrupção da actividade comercial não impediu que nas instalações disponíveis, ainda que exíguas, se desenvolvessem, numa ou noutra ocasião, atividades promovidas pela Cooperativa ou por cedência a outras organizações.
Seguiu-se, então, a desistência de muitos cooperadores. Alguns ficaram, porque estavam muito agarrados à sua Cooperativa e achavam que não se podia deixar desaparecer a velha “Popular Barreirense” que guarda, dentro de si, uma história que ainda não se escreveu.
Chegado o primeiro ano do século vinte e um, a minha Cooperativa (digo minha com o mesmo sentido de “a minha rua”, “a minha terra”) recuperou a posse de todo o imóvel e novas perspectivas se abriram.
Depois de longas discussões, concluiu-se que a Cooperativa Popular Barreirense deveria ter, como ramo de referência cooperativa, a Cultura em vez do Consumo.
E, com a boa vontade de um grupo de cooperadores, a Cooperativa retomou a atividade e o velho edifício da sede deu lugar a outro que dispõe de condições dignas para promover ações culturais na área das Letras, das Artes, da Ciência e, também, da Democracia.
A Cooperativa Cultural Popular Barreirense completa cem anos no próximo dia 24 de Maio.
Mas, para mim, no meu calendário, a minha Cooperativa (1913-2013) já é centenária.
Dourado Mendes














