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DIZER A VERDADE E O SEU CONTRÁRIO !Por Armando Sousa Teixeira

Cavaco Silva é o político há mais tempo em funções de poder no Estado, com responsabilidades maiores na situação terrível em que a ideologia capitalista reaccionária lançou o País. Incapaz de assumir uma clivagem patriótica (porque não pediu a fiscalização preventiva do Orçamento de Estado?!), exprime “preocupações” mediáticas, mas no fundo partilha essa ideologia económica e política.

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DIZER A VERDADE E O SEU CONTRÁRIO ! Por Armando Sousa Teixeira

Por Jornal Rostos

Dizer a verdade e o seu contrário não significa necessariamente discorrer na mentira.
Mas pode ser muito mais grave do que isso, quando as afirmações vêm acompanhadas de mistificação, logro, falsas inevitabilidades e ilusórias evidências.
O senhor presidente da República, normalmente tão parco de palavras, multiplicou-se em declarações, mensagens e entrevistas neste início do ano de 2013 que, a cumprir-se a orientação do governo PSD/CDS, será um ano terrível para Portugal e para os portugueses.
Cavaco Silva (CS), na mensagem de Ano Novo, expressou preocupações em relação à situação económica e social do País : “não haverá recuperação sem crescimento”, ou ainda em relação à “espiral recessiva”, como consequência do “forte aumento de impostos”. Simultaneamente admitiu como inexorável o caminho desastroso traçado pelo governo, como exclusiva a orientação de recuperação da dívida a todo o custo, como fatal a austeridade impondo sacrifícios insuportáveis, como expiação as obrigações usurárias impostas pelos credores.
De algumas premissas verdadeiras, Cavaco Silva insiste, ao contrário, no logro e no embuste do único caminho possível. Criando a ilusão de que está a criticar a política do governo, não assume a atitude consequente de ruptura com o percurso desastroso. Termina com a suprema mistificação “da esperança de que a situação melhore”, quando já todos perceberam (incluindo CS! ) que tudo vai piorar.
Cavaco Silva é o político há mais tempo em funções de poder no Estado, com responsabilidades maiores na situação terrível em que a ideologia capitalista reaccionária lançou o País. Incapaz de assumir uma clivagem patriótica (porque não pediu a fiscalização preventiva do Orçamento de Estado?!), exprime “preocupações” mediáticas, mas no fundo partilha essa ideologia económica e política.
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Como é admissível e aceitável a regressão civilizacional em Portugal, o empobrecimento forçado do povo e do país, a tristeza vil do desemprego, da pobreza, da fome, neste início do décimo terceiro ano do século XXI?
Quando a tecnologia das comunicações e da informação se globaliza e avança vertiginosamente, sabendo-se que o conhecimento científico duplicou na última década em relação a toda a História da Humanidade, quando falta pouco para a construção de super-computadores que igualem a capacidade do cérebro humano (não que o substituam!), na altura em que se concluí da provável existência de milhares de planetas com condições favoráveis à existência e evolução da vida, em tempos de crescimento económico exponencial em vários sítios do globo (China, Índia, Brasil…), Portugal está condenado a esta desgraça anunciada?
O senhor presidente da República afirma que a Constituição não está suspensa!
Então faça-a cumprir, iluminando um caminho amplo e consequente com a revolução libertadora e democrática de Abril que a Constituição consagra. Que não é o estreito túnel com a luz débil que o senhor primeiro-ministro enxerga!
Contrariamente, se o governo persistir neste atalho para o precipício, demita-o!

08/0/2013
Armando Sousa Teixeira

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