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Quotidianos

«Por Qué NoTe Callas ?!»Por António José Carvalho Ferreira
Barreiro

Afinal every goood boy deserves favour e até a boçalidade social mais cavilosa, típica da burguesia burgessa de que o dr. Ulrich é um perfeito espécimen, acaba por provar que, no presente contexto, nem toda a nudez, rude e afrontosa, deste tipo de linguagem será, como mereceria, castigada.

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«Por Qué NoTe Callas ?!» Por António José Carvalho Ferreira Barreiro

Por Jornal Rostos

O dr. Fernando Ulrich voltou à carga como samurai das cavalidades e, à semelhança de um ministro japonês, mostrou-se contumaz no desaforo. Depois do "Ai aguenta, aguenta" de há uns meses, a sua espartana sensibilidade social aliada a um profundo esprit de finesse, levou-o a reincidir no diagnóstico e a carregar na analogia. Desta vez "Se os sem-abrigo aguentam, por que é que nós não havemos de aguentar". Claro que este "nós" é mero recurso estilístico. Ele sabe perfeitamente que o desvelo que os actuais detentores do poder político devotam aos banqueiros torna essa já longínqua possibilidade, apenas num tropo retórico. Afinal every goood boy deserves favour e até a boçalidade social mais cavilosa, típica da burguesia burgessa de que o dr. Ulrich é um perfeito espécimen, acaba por provar que, no presente contexto, nem toda a nudez, rude e afrontosa, deste tipo de linguagem será, como mereceria, castigada.
Repare-se que o "paradigma", neste caso o mote da ameaça implícita, já não são "os pobres que as medidas de austeridade têm deixado intocados" mas os "sem-abrigo", num estado de coisas em que, quase instantaneamente, qualquer um se pode tornar num qualquer. Conviria esclarecer, mesmo perante a infrene verborreia de solípedes deste jaez, que os sem-abrigo não nasceram enquanto tal. Tornaram-se nessa condição por este ou aquele conjunto de motivos, as mais das vezes por obra dessas beneméritas instituições (os Bancos) tituladas por personalidades da envergadura do dr. Ulrich e sustentadas pelo dinheiro esbulhado não apenas a quem a eles recorre, mas também a quem paga impostos, dando razão à velha consigna segundo a qual o capitalismo acaba sempre por ser "socialista" quando toca aos prejuízos.
Quo usque tandem abutere, patientia nostra?
Por qué no te callas?!

António José Carvalho Ferreira

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