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Quotidianos

O caso VidocqPor Nuno Santa Clara
Barreiro

É hoje considerado como o pai da moderna criminologia, até pelo seu lado científico. Atribui-se-lhe mesmo a fonte de inspiração para Sherlock Holmes.
Como foi isto possível? À partida, pelo conhecimento do meio e da mentalidade dos criminosos. Não tinha ele sido um deles?

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O caso Vidocq Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Eugène François Vidocq foi uma figura ímpar em França, e não só.
Nascido em 1775, e falecido em 1857, a sua vida não deu um filme, como aquele programa de TV: deu vários livros e vários filmes, distinguindo-se entre eles a figura de Jean de Valjean, incluída em “Os Miseráveis”, de Vitor Hugo, ou o filme protagonizado por Gérard Depardieu, baseado na mesma figura.
Depois de uma adolescência turbulenta, Vidocq viu-se metido nas guerras da Revolução Francesa, mas distinguiu-se mais como duelista e desordeiro do que como combatente.
Abandonando a carreira militar, ingressou forte e feio no crime, acabando por ser condenado a oito anos de trabalhos forçados. Teve artes de se evadir, por mais de uma vez, e acabou por fazer um acordo algo insólito, para a época: trabalhar como informador e espião para a polícia francesa.
Profundo conhecedor do meio, a sua nova vida foi um sucesso. Foi criador da “ Police de Sureté”, depois “Sureté Nationale”, coisa que ainda hoje existe. Trabalhou para Napoleão, foi demitido no tempo de Luís XVIII, andou na Revolução de 1830 e na de 1848, enfim, esteve em todos os grandes momentos da França, de um ou de outro lado.
É hoje considerado como o pai da moderna criminologia, até pelo seu lado científico. Atribui-se-lhe mesmo a fonte de inspiração para Sherlock Holmes.
Como foi isto possível? À partida, pelo conhecimento do meio e da mentalidade dos criminosos. Não tinha ele sido um deles?
Um dos princípios da Justiça é o da recuperação do criminoso, mais do que a punição cega, que destrói por completo o cidadão.
E mesmo em termos bíblicos, foi Jesus Cristo que disse que havia mais alegria no Céu por um pecador arrependido do que por noventa e nove justos que lá entrassem…
Assim, se algum prevaricador for nomeado para altos cargos do Estado, não desesperem: ele, melhor que ninguém, conhece todas as golpadas. E se, como Vidocq, entrar na senda do Bem, será tremendamente eficaz, como aquele francês ilustre.
E até haverá grande alegria no Céu, por mais um arrependido.

Nuno Santa Clara

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