O meu País fartou-se de mim!...Por professores do Projecto Estrela Polar

Por Jornal Rostos
Nasci e cresci num lugar à beira mar plantado a que muito cedo me habituei a chamar Pátria.
Volvidos vinte e seis anos da minha jovem e curta existência, a minha Pátria Mãe, o meu País, fartou-se de mim.
Sou português, filho de pais portugueses, sou um Cidadão Português legítimo e de pleno direito.
Mas neste que devia ser o meu espaço, na minha Mãe Pátria que me educou e formou, já não há lugar para mim.
Sou um jovem num País sem esperança, sem futuro, sem rumo, onde me sinto como uma mão cheia de nada.
Sou jovem, mas almejo, um futuro que esta Pátria, sim, aquela onde nasci na Margem Sul do Tejo, no Barreiro, me sonega, me subtrai, me nega, me esbulha.
Formei-me na esperança de ter um futuro tranquilo, mas o que o futuro me deu foram alguns meses de “trabalho”, sustentado por aqueles “papelitos verdes”.
Estou a ouvir uma música dos ‘Xutos e Pontapés’ e a voz do Tim ecoa dentro da minha cabeça ao ouvir uma frase em particular “queria ser astronauta, mas o meu País não deixou”.
Vou partir, amargo, azedo, revoltado, desiludido.
Se voltarei? Não sei! Um dia, quiçá, se o “meu País me deixar”.
PS - Este é o percurso de mais um emigrante à força como muitos outros Portugueses. Tal como na década de 60…
Que País é este?
Os professores do Projecto Estrela Polar
Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho, Barreiro














