Capitalismo e CivilizaçaoPor Henrique Silva

Por Jornal Rostos
Desfolhando o passado, a polémica e pouco brilhante História das Finanças, percorremos 2 500 anos de lugares-comuns até à atualidade. Pareceu-me interesante partilhar com os leitores este oportuno tema. Estamos referindo-nos a um período longo; desde Babilónia, ao Egipto, à China, passando pelos impérios Grego e Romano, concluindo de resto, que nada é novo, nem na forma nem no conteúdo, com relaçao á atualidade nada risonha que vivemos, um pouco por todas as partes do Mundo. Seguimos inseridos num ciclo de repetiçoes irremediaveis , desastrosas, intermináveis, de cariz dramático e teatral, às quais deveríamos pôr um ponto final e passar a outra coisa, se ese fosse o sentimento e o desejo da Maioría dos pensantes, que somos todos nós.
Outrora e em retrospetiva, eram os Soberanos, os Reis, os Príncipes quem se endividavam sem dar contas a ninguém. Vivia-se entao, numa borbulha permanente de favores, de caprichos, códigos e ambiçoes pessoais desmedidas, sem fins mínimamente sociais, a nao ser o de declarar guerras e mais guerras arbitrárias e autocráticas sem justificaçoes aparentes. O Povo esse, sempre ficava na mao de baixo, blindado na indigna condiçao de explorado e pauperizado totalmente.
O Poder laico pedia emprestado ao Poder religioso e este, ao Soberano se é que lhe sobrava dinheiro. Todos os poderes vivíam assim, de Oferendas subjetivas e recíprocas, menos o Povo, ese grande ignorado e ausente!
As cidades italianas do século XIII, ou as da Flandria do século XIV, o Império espanhol do século XV, o Reino da França do século XVI, os Países Baixos do século XVII, a Inglaterra do século XVIII e enfim, os Estados Unidos do século XIX, todos se endividaram, e todos se declararam em algum momento, em bancarrota.
Dom Joao I de Portugal, até chegou a ser um credor importante de Veneza, Florença, Génova ou Amsterdao, cidades que naquela época eran centros financeiros de primeira importancia no mundo.
Porém, por incrível que possa parecer, o Credor de ontem, supostamente rico, tornou-se o Devedor de hoje.
Entre o século XVI e o século XIX isto é durante 400 anos, e a titulo de exemplo, a Espanha, a pesar da sua época de bonança, teve de declarar-se em bancarrota 14 vezes.
Entretanto, a partir do século XX, na Europa, a figura do Soberano passou a ser assumida pelo Povo. É ele, que de uma ou outra forma assume, desde entao, as Dívidas soberanas e as despesas públicas através do pagamento de impostos, visto que as despesas públicas aumentam vertiginosamente e muito mais que os rendimentos dos Estados.
Quanto á pressao Fiscal, ela aumenta igualmente, de forma totalmente disproporcionada e injusta, no sentido que lesa muito mais os que menos têm, que sao aqueles que pagam a maior fatia percentual de encargos fiscais relativamente aos rendimentos e os que do mesmo modo, menos se beneficiam do bem social Coletivo.
O Circulo vicioso instala-se, e com ele as revindicaçoes mais ou menos violentas.
Os Estados aumentam as suas despesas públicas de forma geométrica e em base a princípos conceituais de duvidosa teoría, que rápidamente atingem niveis insuportáveis, que os obrigam a solicitar créditos compulsivos áqueles que dispoem de aforros e pelos quais, cobram avultadas comissoes, ao mesmo tempo que criam productos financeiros que desajustam o rácio entre o capital do Trabalho e o capital essencialmente especulativo, rentista e nao-produtivo, provocando óbvias desigualdades.
Entretanto, tudo se vai invertindo ou metamorfoseando para pior, quando após 2 007, os supostamente Estados ricos se descobrem sobreendividados com relaçao aos supostamente pobres.
As Dívidas soberanas explodem: Japao 230 % do PIB, EUA 130 %, Zona Euro 100 % en média do PIB, etc.
Teorias económicas e financeiras que caem com o seu propio peso e sem suportes credíveis, enquanto os Mercados atacam tudo aquilo que se move como insolvente, ou precário, ganhando de passagem confortáveis comissoes e especulando em todos os sentidos num contexto confuso e sem regras determinantes, senao de inspiraçao anárquica.
Esta é a realidade que se vive, que poucos vêm e que muitos nao querem ver, porque creem que tudo se normalizará por si mesmo, ora por arte de magia, ora por uma generalizada e compulsiva operaçao de Default ou seja ( suspensao de pagamentos e/ ou conseguinte perdao de dívidas ).
Salvam-se desse remoinho diabólico, apenas uma dúzia de países que até agora e históricamente, nunca apresentaram situaçoes de suspensao de pagamentos ou de bancarrota.
Portanto, penso que é credível – sem pretendermos ser advogados do Diabo, que todo o Ocidente está exposto a uma situaçao futura de demasiada incerteza, de rotura financeira em cascada, tal como no passado sucedeu com Veneza, Génova, Madrid ou Amsterdao. Sabemos que sao complexos e numerosos os parámetros que ocasionam estes razes de maré.
Motivos sobram, para insinuar e pretender como lógico e oportuno pensar num novo Projeto de sociedade, que incluía uma reforma profunda do sistema financiero, que debele uma vez por todas estas dementes e empíricas concepçoes monetaristas, que em nada favorecem o neto Progreso da Humanidade e colma a carencia do Homem em sentir-se seguro e em apología a um ideal de vida que corresponda aos seus essencias desígnios.
Deve acabar este ciclo de acumulaçao- desperdício do Capital, dos esforços daqueles que maioritários lutam e trabalham; debe acabar uma prática inmutável de tónica demasiado semelhante à de tempos idos, nada gloriosos e dramáticamente repetitivos.
Deve acabar, aquilo que além de distorsionar os equilibrios básicos sempre inestáveis da sociedade, os insinuam e acentuam con a proliferaçao de sentimentos de violencia ímplicita e explícita que ninguém pode ignorar e que por reflexo, apesam a apatía, o desnorte, a convivencia harmoniosa e estruturada, e sobretudo o mal estar geral subjacente da sociedade atual.
Deve acabar este ciclo infernal e vegetativo, que denigra a dignidade dos homens como individualidades e como colectivo. Somos donos incondicionais e por mérito próprio, da faculdade de pensar, sentir, criar, viver e assumir um Destino mais justo e equânime.
Henrique Silva.
Fevereiro-2013














