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Quotidianos

Cortes no ExércitoPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Se a constituição do ERMO foi o resultado de uma política deliberada ou uma fatalidade histórica, é assunto que daria para muitas crónicas; fiquemo-nos pela realidade concreta.
E daí o meu apelo: já que se fazem cortes nas Forças Armadas, em geral, e no Exército, em particular, para quando medidas concretas para a redução dos efetivos do Exército de Reserva de Mão-de-Obra (ERMO)?

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Cortes no Exército Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Reuniram-se altas patentes da Forças Armadas, e outras menores, para discutir os cortes no orçamento, o que foi amplamente divulgado pela Comunicação Social. Não é todos os dias que se vê um tal ajuntamento, segundo alguns raiando a insubordinação, segundo outros apenas debatendo, dentro dos parâmetros da legalidade, um assunto de grande importância nacional; ao fim e ao cabo, é nas Forças Armadas que reside o último sustentáculo da soberania, aquela ultima ratio regis, frase que o rei Luís XIV de França fez gravar nos seus canhões.
Claro que as Forças Armadas, e entre elas o Exército, têm de partilhar as dificuldades da atual conjuntura; há que racionalizar, reorganizar, redefinir. Mas sem esquecer que tal se reflete na sua operacionalidade, como qualquer outra organização.
Pois se se fazem cortes na Saúde, naturalmente os cidadãos ressentem-se; se se corta na Educação, as atuais e futuras gerações pagarão a fatura; se se corta no investimento, é toda a Economia que regride.
Mas há um exército que não tem tido cortes, antes tem progredido com regularidade, embora haja quem tente fazer cosmética nos números, a fim de diminuir (aparentemente) o seu impacto.
Que Força é esta, que parece escapar à Crise?
Como é possível um aumento de efetivos, quando a ordem é para cortar, em todo o lado?
Pois essa força triunfante é o Exército de Reserva de Mão-de-Obra (ERMO), que tem progredido de forma notável nos últimos tempos, atingindo números nunca dantes alcançados. Centenas de milhar de homens e mulheres têm engrossado as suas fileiras, mas sem grande orgulho nisso; pelo contrário, querem sair do ERMO, e estão dispostos a tudo, desde renunciar ao salário mínimo, até a emigrar para onde calhar.
Se a constituição do ERMO foi o resultado de uma política deliberada ou uma fatalidade histórica, é assunto que daria para muitas crónicas; fiquemo-nos pela realidade concreta.
E daí o meu apelo: já que se fazem cortes nas Forças Armadas, em geral, e no Exército, em particular, para quando medidas concretas para a redução dos efetivos do Exército de Reserva de Mão-de-Obra (ERMO)?
Essa medida seria decerto bem-vinda, e a diminuição das fileiras deste Exército traria largos benefícios ao País.
Muito mais que a diminuição das fileiras do Exército Português.

Nuno Santa Clara

P.S.: no artigo “Resignação”, há dias publicado, por engano referi que D. Pedro IV foi regente de D. Maria I; como sabemos, foi D. João VI quem teve esse papel.
N. S. C.

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