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Quotidianos

Vox PopuliPor Armando Teixeira
Barreiro

A demagogia e o populismo são velhas contradições do sistema capitalista democrata-burguês, que engendra no seu seio as condições para o aparecimento de “monstros sagrados”, que estão “contra” o sistema beneficiando do próprio sistema!

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Vox Populi Por Armando Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

1. Ainda só estavam contados metade dos votos e já os comentários choviam na Rádio, na Televisão e nos títulos dos jornais de 2ª feira: “Os resultados são uma catástrofe política!”, “Vem aí o caos em Itália!”, “ Os mercados reagem em pânico!”, e outros similares.
Curiosa esta ética/orientação, dos meios de informação e de muitos comentadores/analistas da cena política internacional (e interna!...).Quando ganha a direita ( ou à direita!), mesmo que só por um triz, está tudo bem, é legitimo, inatacável : toma lá que é democrático! Se ganha a esquerda, ainda que por escassa margem, aqui d’el rei! É o caos político, a catástrofe financeira!
E há ainda quem duvide da existência de “centrais de informação”!...

2. Não seria mais simples e honesto, a constatação de que o povo italiano derrotou esmagadoramente a política neoliberal, a austeridade e a pioria de vida, imposta por Mário Monti (e o directório europeu!), trucidado com 9% da votação!?
Além da maioria de votos à esquerda, derrotando, embora por escassa margem, o reaccionário e demagogo Berlusconi, os votos conseguidos pelo populista Beppe Grillo (25%!), são actos de protesto contra a política capitalista financeira e imperialista que esmaga os interesses e as conquistas civilizacionais do povo italiano.

3. A demagogia e o populismo são velhas contradições do sistema capitalista democrata-burguês, que engendra no seu seio as condições para o aparecimento de “monstros sagrados”, que estão “contra” o sistema beneficiando do próprio sistema!
Hitler ascendeu ao poder com o seu “nacional-socialismo” (derrotando a social-democracia!), explorando questões objectivas, como a grande crise económica na Alemanha, contagiada pelo “crash” americano em 1929, mas também sugando até ao tutano a profunda frustração dos alemães pela derrota na 1ª Grande Guerra e pela “humilhação” feita pelos Aliados vitoriosos no Tratado de Versalhes, que regulou as fronteiras de guerra.

4. Batendo a tecla do profundo descrédito dos políticos do sistema que afundam o país e o povo no desemprego, na indigência e na miséria, surgiram em Portugal vários grupos e movimentos sociais que se arrogam por vezes de genuínos representantes da “voz do povo”.
Desde sempre juntámos a nossa voz àqueles que protestam contra o insustentável estado de coisas. No sábado lá estaremos em Lisboa, às 16 horas, no Marquês de Pombal para gritar: “ Que se lixe a troika, o povo é quem mais ordena!”.
Mas atenção! Não basta mudar o cenário e trocar os actores em cena, metendo tudo no mesmo saco!
É necessária uma ruptura com as políticas que há mais de 30 anos têm arrastado o País para a desgraça e a ruína.
É preciso e urgente uma verdadeira política patriótica e de esquerda que retome os valores de Abril, no caminho do progresso e da independência nacional, da justa repartição da riqueza e da justiça social.

Barreiro, 28/02/13
Armando Teixeira

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