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Quotidianos

Um Desenvolvimento Económico assente no ConhecimentoPor Nuno Canta
Montijo

O Montijo do futuro pode e deve criar, numa relação de proximidade com as Universidades de Lisboa, um importante ativo específico na instalação de laboratórios de investigação capaz de influenciar os rumos da sua estrutura produtiva e de emprego.

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Um Desenvolvimento Económico assente no Conhecimento Por Nuno Canta Montijo

Por Jornal Rostos

Um dos principais desafios que, enquanto comunidade, os montijenses têm de enfrentar nos próximos anos é, claramente, o do desenvolvimento económico. O nosso tempo de mudança é, profundamente, marcado pelos efeitos de uma recessão económica aguda, em resultado das políticas de austeridade decididas pelo Governo. Por um lado, defrontamo-nos com um crescimento avassalador da falência de empresas, com um aumento brutal do desemprego e com uma crise generalizada e desigual. Por outro lado, temos uma mudança estrutural inacabada, em busca de um novo modelo produtivo capaz de criar emprego mais qualificado, de revolucionar a estrutura de qualificações dos nossos ativos e de dar resposta ao fluxo de novas qualificações que o sistema educativo está a lançar no mercado de trabalho.

Para vencer a crise, o Montijo tem de se afirmar estrategicamente na Área Metropolitana de Lisboa, num processo de complementaridade com os outros municípios da região, em particular no que respeita ao seu desígnio de sempre a agricultura, a pecuária, a agro-indústria e a logística. Mas, como sabemos, no capitalismo técnico do nosso tempo é cada vez mais importante o conhecimento detido pelos indivíduos com competência técnica, administrativa ou comunicativa, ou seja, pelos técnicos que constituem a classe média profissional. Logo, o desenvolvimento económico que preconizamos tem de assentar no conhecimento e, portanto, em empregos qualificados que possam fixar a população residente.

O Montijo do futuro pode e deve criar, numa relação de proximidade com as Universidades de Lisboa, um importante ativo específico na instalação de laboratórios de investigação capaz de influenciar os rumos da sua estrutura produtiva e de emprego. Este potencial reside no facto de as infraestruturas de investigação das Universidades de Lisboa exigirem espaços e condições adequadas aos requisitos da ciência moderna. E, ainda, nas áreas industriais abandonadas e obsoletas existentes no perímetro urbano da cidade, como são exemplo as antigas instalações da Infal, da Moncar, da Soberana e outros espaços industriais, com possível reconversão em parques laboratoriais de ponta para apoio da investigação universitária e de serviços intensivos em conhecimento.

As Universidades de Lisboa, em particular nas áreas científicas agrícolas, veterinárias e agroindustrial, que tive oportunidade de frequentar no meu percurso de investigador, possuem um grande número de doutorandos e pós-doutorandos sem as condições adequadas à ciência. O Montijo, por sua vez, oferece espaços disponíveis e acessíveis, e, do nosso ponto de vista, deve afirmar nacional e internacionalmente a produção agrícola, pecuária e agroindustrial baseada, naturalmente, na ciência e no conhecimento. Uma estratégia de desenvolvimento local moderna tem de assentar, necessariamente, no conhecimento.

NUNO CANTA 2013

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