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Quotidianos

BARREIROO bom aluno?
Por Nuno Santa Clara

Portanto, de duas ilhas, uma perdida nas brumas do Atlântico Norte, outra confinada num canto do Mediterrâneo, vêm-nos grandes lições.
Uma, de que o crime não compensa.
Outra, de que, quando os deputados estão mesmo ao serviço do povo que os elegeu, defendem-no até ao fim.

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BARREIRO O bom aluno? Por Nuno Santa Clara

Por Jornal Rostos

Estes últimos dias trouxeram duas notícias muito interessantes.
Uma, vinda da Islândia, dizia que naquele país vão ser levados a tribunal, acusados de diversos crimes, dezassete (isso mesmo, dezassete!) banqueiros, culpados de terem criado a atual crise dita económica, mediante manipulação de cotações, investimentos de alto risco e outras manigâncias.
Ou seja, em vez de se pavonearam na televisão, insultando tudo e todos, vão sentar o rabinho no banco dos réus para explicar o talvez inexplicável.
Outra, vinda de Chipre, diz que os deputados em peso rejeitaram a “generosa” oferta de alguns milhões de euros, em troca do fraudulento confisco de uma boa percentagem das contas bancárias.
Ao que parece, a Rússia já se ofereceu para resolver o problema, adiantando a necessária quantia.
Imperialismo disfarçado? Não. Apenas ter a garantia de que os depósitos de cidadãos russos em Chipre não serão molestados, e o valor desses depósitos deve ser superior à quantia em questão.
Depois de um crescendo de ameaças, tendo como pano de fundo as eleições na Alemanha ainda este ano, a política que Angela Merkl (e não só!) tem construído sofreu agora um revés. Aqueles malvados gregos de segunda roeram a corda.
E, se a política de diktat continuar, eis uma saída airosa: petrorublos em vez de euros.
E agora? Vamos vilipendiar os cipriotas por tentar salvar a sua soberania?
Não são eles livres de escolher de quem devem depender?
É que liberalismo é exatamente isso: laissez faire, laisez passer. Se encontrarem uma alternativa legal e legítima, ninguém lhes pode levar a mal.
Portanto, de duas ilhas, uma perdida nas brumas do Atlântico Norte, outra confinada num canto do Mediterrâneo, vêm-nos grandes lições.
Uma, de que o crime não compensa.
Outra, de que, quando os deputados estão mesmo ao serviço do povo que os elegeu, defendem-no até ao fim.
Agora uma terceira conclusão.
Até agora, tem-nos sido vendida a ideia de que Portugal era o bom aluno da Europa. Sossegado, aplicado, humilde, cumpridor.
Mas, perante estes exemplos, há que repensar este conceito.
Ser o “bom aluno da Europa” foi considerado um elogio.
Agora, será talvez um insulto.

Nuno Santa Clara

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