Ar, água, terra e fogoPor Nuno Santa Clara
Barreiro

Por Jornal Rostos
Segundo Aristóteles, e os seus seguidores, eram estes os quatros elementos que constituíam o Mundo. A combinação destes elementos daria origem a todas as coisas que conhecemos, todas as rochas, todos os compostos, etc.
Não vamos fazer a história da evolução da ciência até aos nossos dias. Apenas tentar filosofar um pouco, à moda dos clássicos gregos. Sim porque, para os gregos atuais, a filosofia é outra…
Também convém esclarecer que se trata de filosofia barata – ou seja, a melhor adaptada aos tempos de crise que atravessamos.
Assim sendo, qual será a relação dos portugueses com os quatro elementos?
Um país que existe como estado independente há mais de oito séculos, cujas fronteiras ficaram definidas e permaneceram imutáveis desde o fim do século XIII (tirando o espinho de Olivença) tem de ter variáveis e constantes, ao sabor das épocas, mas com um fio condutor, que explica e legitima a sua existência.
Pois uma das muitas explicações que podem ser dadas é a ligação aos quatro elementos. Teoria novíssima, mas que tem uma sólida base de sustentação.
Se não, vejamos.
No princípio da sua expansão, os portugueses fizeram-se ao mar, ou seja, ao elemento água. Foram os descobrimentos, a criação do Império, e mesmo depois da perda da joia da coroa, que era o Brasil, o elemento água foi o dominante, através da emigração.
Já nessa altura, emigrar era a solução externa para a falta de solução interna. O “brasileiro” passou a ser o grande equilibrador da balança de pagamentos, embora desprezado, gozado, achincalhado, a ponto de Eça de Queirós ter sugerido que a única forma de o “brasileiro” se tornar respeitado era… fechar a bolsa.
E assim foi dominante o elemento água, até que, nos anos sessenta do século XX, os portugueses passaram a emigrar de comboio, para a França e para a Alemanha. A receita era a mesma – só que agora predominava o elemento terra, onde assentavam os carris do Sud-Express.
E, com os “franceses”, passou-se o mesmo que com os “brasileiros”; também estes se esqueceram de fechar a bolsa.
Pensou-se que, após o 25 de Abril, e o surto de desenvolvimento dos anos posteriores, cessaria essa drenagem da nossa população.
Pensou-se mesmo que, na palavra recente dos nossos governantes, o nosso futuro estaria no mar, como que num regresso ao elemento água. Coisa estranha, pois esses mesmos governantes tinham-se entretido em destruir a nossa marinha mercante e a nossa frota de pesca. Mas, enfim, sempre era uma palavra de ordem.
Só que estava errada. O apelo a que os portugueses voltassem a emigrar implicava o recurso a outro elemento, desta vez o ar. Isto porque, com o aumento da diáspora, os emigrantes (e não só os de luxo) passaram a tomar o avião.
Sendo assim, o nosso futuro (dentro da palavra de ordem para emigrar), não estava na água, mas no ar.
E a nova era ficou assim associada ao elemento ar.
Portanto, a nossa constante histórica é recomendar a emigração, panaceia para todos os nossos males.
A nossa variável, é o elemento dominante.
Fogo!
Nuno Santa Clara














