Para a China, e em força!Por Nuno Santa Clara
Barreiro
Pois se os chineses compraram a EDP, empresa considerada por especialistas como das mais bem geridas do Mundo, o que podemos contrapor face ao endividamento da TAP? Só a qualidade do pessoal, e com provas dadas em terras orientais.

Por Jornal Rostos
A notícia passou quase despercebida, mas merecia maior destaque.
Realizou-se a Grande Maratona da Grande Muralha da China, com 140 atletas inscritos, dos quais 30 mulheres, e do total apenas 15 (cerca de 10%) acabaram a prova dentro do tempo limite de oito horas. Considerando que uma maratona normal leva cerca de duas horas a cumprir, pode-se imaginar a dificuldade da prova…
Pois o mais notável é que só uma atleta cumpriu esse tempo limite, e era portuguesa; e um atleta português ficou em quarto lugar. E mais: são ambos amadores e funcionários da TAP.
Que fazer com este resultado? Aparentemente, nada.
Ou talvez sim. Neste deserto de boas notícias sobre êxitos nacionais, desportivos ou outros, sempre seria de aproveitar esta dupla para relançar um pouco do orgulho nacional.
E mesmo aproveitar para fazer alguma promoção de produtos nacionais. Já que fabricamos boas roupas e bom calçado, porque não ligar os resultados á excelência dos produtos?
O pior seria constatar que vestuário e calçado, tal como os resultados desportivos, eram Made in China. Mas mesmo assim, com um pouco de imaginação, talvez se pudesse tirar partido dessa coincidência, partindo para outros voos. Não estamos a ser constantemente desafiados a recorrer à nossa criatividade e imaginação, até para sobreviver no dia-a-dia?
Igualmente quanto à TAP, em processo de privatização. Não vamos avaliar a qualidade do serviço, mas a excelência dos funcionários. Vamos esquecer as greves, os atrasos, os preços dos serviços prestados.
A TAP já não voa para a China, mas corre na China. E bem! E isso pode ser mais importante que o número e qualidade dos aviões.
Pois se os chineses compraram a EDP, empresa considerada por especialistas como das mais bem geridas do Mundo, o que podemos contrapor face ao endividamento da TAP? Só a qualidade do pessoal, e com provas dadas em terras orientais.
Isso pode ser mais importante que o lóbi dos antigos maoistas, hoje tão bem instalados na vida, até a nível governativo, nacional ou internacional. O que vale uma militância já ultrapassada e esquecida, face a façanhas recentes e indiscutíveis?
Parafraseando o velho ditador, para a China, e em força.
Cumprem-se as diretivas governamentais, quanto a procurar futuro longe desta Pátria exangue e exaurida de recursos; e vai-se para um lugar onde se pode fazer figura.
Fernão Mendes Pinto, um filho do nosso distrito, espantou-se na China com o sistema dos mandarins, em que os cargos públicos eram providos por concurso, em vez de passar de pai para filho. E não havia equivalências, na altura.
Será que no antigo Celeste Império haverá futuro para os que até fazem cursos e não arranjam emprego?
“Go west, young man”, foi o lema da conquista do oeste pelos americanos.
Vão para leste, dizemos nós, e em força.
Com uma exceção: não vão para a Coreia do Norte, onde o poder passa não só de pai para filho, mas de filho para neto.
Nuno Santa Clara














