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Quotidianos

De joelhos?! Não, de pé povo amargurado!Por Armando Sousa Teixeira
Barreiro

O Futebol, transformado em desígnio nacional, arrasta multidões fervorosas que caem de joelhos com as derrotas do Benfica, enquanto os do Porto (dividir para reinar!), lavam as frustrações de uma austeridade desgraçada com a vitória sobre os “mouros”.

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De joelhos?! Não, de pé povo amargurado! Por Armando Sousa Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

“ Povo, enquanto te curvares perante um trono
E te ajoelhares perante um altar, serás subjugado”
Backunine

1. Na contestação adolescente e na agitação estudantil, soprada pelos ventos que vinham de França, de um Maio com flores de revolta, e potenciada pelos ecos distantes da América em “pé-de-guerra” contra a guerra do Vietname, a frase impressiva, citada de memória, valia como uma consigna filosófica, colando às maravilhas na insubmissão estudantil, ainda desordenada, contra o regime do silêncio e da mordaça.
As associações de estudantes eram espaços de esclarecimento e de solidariedade, onde os confrontos ideológicos (mesmo não se sabendo dos terríveis embates entre Karl Marx e Backunine!), dinamizavam a aprendizagem da vida e da acção prática.
O inestimável aparelho de propaganda e de repressão do regime, associava o chanfalho, a prisão, a tortura e a mobilização para a guerra colonial, à alienação social, baseada no triplex dos três efes: Fátima, Futebol e Fado.
Mesmo com meios poderosos a ditadura nunca conseguiu pôr (todo) o povo português de joelhos! Lutando, resistindo, conspirando, batalhando, avançando corajosamente com os militares progressistas, o povo português fez o 25 de Abril e a Revolução Democrática, destruindo as estruturas criminosas do fascismo, vencendo o capitalismo monopolista mandante, derrotando as ilusões liberais e iniciando uma nova era de dignidade e de democracia política, social e económica.

2. Quarenta anos passados chegámos a uma nova encruzilhada da História-Pátria.
Às arrecuas e pela mão dos novos filhos dilectos do capitalismo neo-liberal, com a Pátria colonizada e destruída estruturalmente, os estrategas do sistema semeiam a velha-nova alienação, juntando à troika do capital e à troika política interna do PSD/CDS, com a ajudinha “indignada” do PS (que não rompe!) a “troika” dos três efes, ainda e agora os mesmos: Fátima, Futebol e Fado.
Em Fátima, centenas de milhares encomendam-se à divina senhora para resolver os seus problemas, cada vez maiores, e até o senhor presidente da República, num assomo de grande rigor académico, encomenda a salvação das finanças a um milagre fatimista.
O Futebol, transformado em desígnio nacional, arrasta multidões fervorosas que caem de joelhos com as derrotas do Benfica, enquanto os do Porto (dividir para reinar!), lavam as frustrações de uma austeridade desgraçada com a vitória sobre os “mouros”.
Embora a cantiga agora seja outra, o fado nacional é o mesmo de sempre: triste, pobre, esmifrado no trabalho, sem futuro que se veja. O Fado cantiga, esse foi elevado à condição de património da humanidade e vai-nos dando algum ânimo, como nos memoráveis concertos da Naifa e de Ana Moura, na Festa do Avante! -2012, aplaudidos de pé por milhares.
De pé resta estar ao povo português, amargurado, desencantado, furibundo, lutando para derrotar os senhores do “altar” do dinheiro e do “trono” da finança.
A história não se repete, mas também não volta para trás!

Armando Sousa Teixeira

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