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Quotidianos

Uma Cooperativa com 100 anospor Dourado Mendes
Barreiro

À distância de um século, encurralados nesta sociedade sem futuro à vista, lembramos os fundadores e cooperadores que os acompanharam na construção da “Popular Barreirense”.
Uma Cooperativa que, hoje, 24 de Maio de 2013, faz cem anos.
Está de parabéns.
…muitos anos de vida!

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Uma Cooperativa com 100 anos por Dourado Mendes Barreiro

Por Jornal Rostos

Uma associação que completa cem anos de vida é sempre digna de registo. Mais ainda quando se trata de uma associação que foi criada para servir a comunidade.
É o caso da Cooperativa Cultural Popular Barreirense que iniciou a sua existência com o nome de Cooperativa Popular Barreirense e que, depois, por imposição de uma lei marcelista, foi obrigada a alterar para Sociedade Cooperativa Popular Barreirense, tendo mais tarde, por iniciativa dos seus associados, passado a designar-se por Cooperativa Cultural Popular Barreirense.

Ainda se vivia o calor da implantação da República, quando um grupo de operários dos caminhos de ferro criaram a cooperativa de consumo “Popular Barreirense” e, na sua bandeira, usaram as cores republicanas acrescentando-lhe uma estrela que os guiaria no sonho de uma “sociedade mais justa, mais fraterna”, onde as cooperativas teriam um lugar de relevo.
Os fundadores eram serralheiros, torneiros, ferreiros, caldeireiros, estofadores.
Cidadãos que, depois de um dia de trabalho, iam para a Cooperativa e sentavam-se à mesa de reuniões para tomar as suas deliberações, na mercearia empacotavam o açúcar o arroz a massa, faziam o atendimento ao balcão, organizavam o trabalho na secretaria e, quando era mais noite, davam uma ajuda na padaria.
Eram gestores, dirigentes associativos, caixeiros, padeiros e, mais do que isso, lutavam pela Democracia, pela Liberdade.

Nos primeiros tempos a Cooperativa abria para fornecimento aos seus associados num horário que coincidia com o descanso dos seus dirigentes e cooperadores.
Estes voluntários cooperativistas faziam serão na Cooperativa e, no dia seguinte, de manhã cedo, lá estavam nas oficinas da CP a lidar com o ferro e a madeira para ganhar um magro salário para sustento da família
Os fundadores e os que os acompanharam entendiam que dentro de um sistema capitalista era possível criar uma cooperativa onde o lucro não era lucro, mas apenas excedentes e que parte dos quais poderiam ser distribuídos pelos associados, não em função do capital individual, mas na proporção dos produtos adquiridos para consumo.
Entendiam estes cooperadores que o seu trabalho na Cooperativa alimentaria o seu sonho de criar uma sociedade onde fosse reconhecida a dignidade do trabalho e não houvesse lugar a qualquer tipo de exploração.

E pelos tempos fora, os dirigentes e os cooperadores foram-se revezando, procurando manter a identidade da “Popular Barreirense” e, assim, se atravessou o período da Ditadura com as instalações da Cooperativa sob uma assídua vigilância da PIDE. Mas, não obstante esta permanente opressão, não se quebrou o ânimo e a dedicação dos sucessivos dirigentes e cooperadores que mantiveram a cooperativa em condições de proporcionar a aquisição de produtos alimentares, empréstimo de livros e também servir de espaço de convívio de cidadãos empenhados na defesa da Democracia.
Esta velha Cooperativa tem uma longa História e muitas histórias por contar.

Chegados ao ano 2000, após um período de inatividade, um grupo de cooperadores, que não desistira de servir a sua Cooperativa, avançou para um projeto cooperativo e cultural tendo sempre presente aqueles que, em 1913, deram o primeiro passo.
Construíram-se, então, novas instalações, que podem ser consideradas modestas, mas têm, sem dúvida, dignidade para se afirmarem como espaço de encontro de pessoas interessadas nas Letras, nas Artes, na Ciência e na Democracia.

À distância de um século, encurralados nesta sociedade sem futuro à vista, lembramos os fundadores e cooperadores que os acompanharam na construção da “Popular Barreirense”.
Uma Cooperativa que, hoje, 24 de Maio de 2013, faz cem anos.

Está de parabéns.
…muitos anos de vida!

Dourado Mendes

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