Adeus, até ao meu regresso!Por Jorge Fagundes
Barreiro
E, como o pode verificar, poucos são os estudantes angolanos ainda aí a viver no Barreiro.

Por Jornal Rostos
Nota prévia: o texto que se segue não passa de mera ficção, pelo que qualquer semelhança com a realidade é, apenas...uma simples coincidência.
Luanda, 05 de Julho de 2013
Meu Caro Amigo Dr. Jorge:
Regressada, inesperadamente, a Luanda, não me foi possível despedir-me pessoalmente de si, o que lamento e espero me releve.
Como bem o sabe, eu fui uma daquelas estudantes angolanas que veio estudar para Portugal (licenciaturas, mestrados, doutoramentos).
Em Março de 2012 foi amplamente difundido que a Universidade de Belas, de Luanda, iria enviar, até Setembro desse ano, 600 universitários para Portugal, ao abrigo de protocolos assinados com universidades portuguesas.
Em relação ao Barreiro, foi assinado, em 19 de Março de 2012, um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal do Barreiro, a Universidade de Belas (Luanda) e a empresa Coração Tropical, Formação. Lda, no qual ficou definido que o alojamento dos estudantes abrangidos por esse protocolo seria realizado em instalações do Bairro Operário de Santa Bárbara, ou outro, no território da Quimiparque, ou fora deste, incumbindo à Coração Tropical o pagamento das rendas devidas.
E foi devido a esse protocolo que eu vim para o Barreiro, onde, tal como os outros estudantes angolanos (à volta de trezentos)fui sempre bem recebida, com especial relevo por parte, dos, poucos, moradores no antigo Bairro Operário da CUF, da vossa Câmara Municipal e da Sociedade “Os Franceses”, onde se realizou um grande espectáculo dos estudantes angolanos, e, no qual, nos conhecemos, e estabelecemos, uma boa relação de amizade.
Relação essa muito gratificante para mim, uma vez que, por seu intermédio, fiquei a conhecer muito sobre a, então, para mim, desconhecida cidade portuguesa do Barreiro.
Inesperadamente, e mesmo antes de iniciar os meus estudos, fui obrigada a regressar a Luanda, devido, segundo consta, à falta de cumprimento, por parte da Universidade de Belas , dos acordos efectuados com diversas entidades portuguesas, e, também, ao eventual desinteresse do Estado Angolano.
E, como o pode verificar, poucos são os estudantes angolanos ainda aí a viver no Barreiro.
Quando estiver melhor documentada poderei prestar-lhe outros esclarecimentos sobre este aborrecido acontecimento, o qual, porém, não me impedirá, bem o espero e o desejo, de voltar a Portugal e ao Barreiro para obter a minha licenciatura numa Universidade portuguesa.
Assim sendo, Meu Caro Amigo....adeus, até ao meu regresso!
Uma beijoca da Suzie
Jorge Fagundes














