A sustentabilidade do Barreiro começa na políticaPor Humberto Candeias
Barreiro

Por Jornal Rostos
O Barreiro tem vindo a assistir uma regressão das suas condições sociais e económicas como poucos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, a que os responsáveis políticos locais não são alheios. Uma análise comparativa aos 18 concelhos da AML coloca o Barreiro num cenário de pesadelo. A perda de população, a taxa de envelhecimento, a mais baixa taxa de atividade, o desemprego e desemprego jovem, uma das maiores proporções de edifícios muito degradados e vários indicadores negativos na educação devem fazer tocar as campainhas de alarme a qualquer cidadão Barreirense. A situação de insustentabilidade na sociedade tem sido acompanhada por uma gestão autárquica também ela insustentável. A situação económica era incomportável, relembremos que a CMB, a 31 de dezembro de 2012, era das que mais tarde pagava no país, em 300º lugar, com 617 dias de atraso médio no pagamento a fornecedores. Em conjunto com o Seixal apresentava ainda a mais baixa taxa de execução na Península de Setúbal dos projetos no âmbito do Programa Operacional Regional de Lisboa / QREN.
Acabou por necessitar de ser resgatada via PAEL, sendo obrigada a cumprir um programa de ajustamento financeiro durante 14 anos para pagar um dos mais elevados empréstimos aprovados (10,6 milhões de euros). Somente uma situação desesperada levou a CDU, no Barreiro, a aceitar a limitação da sua autonomia com a aceitação das condições do impostas pelo programa conhecido por TROIKA para as autarquias. Se os empréstimos para a realização de empreendimentos que melhoram a qualidade de vida das populações podem ser compreensíveis, de acordo com as suas condições e a estratégia subjacente, não são de todo os que visam meramente tapar buracos e comprometem as opções futuras. O equilíbrio das contas está a ser feito com o corte na atividade da CMB, a diminuição da quantidade e qualidade dos serviços aos cidadãos, na iluminação, na segurança, nos apoios sociais e com os elevados impostos e taxas a cobrar pelo menos durante os próximos 4 mandatos.
A base para uma mudança que projete o Barreiro para o desenvolvimento e o futuro não pode iludir a realidade enunciada. A situação de insustentabilidade que se vive não se pode dissociar da responsabilidade, por ação ou omissão, dos atuais atores políticos da CDU em maioria absoluta na Câmara, bem como da inexistência de uma efetiva oposição na vereação.
A dimensão política traduzida na qualidade da democracia, grau de representatividade social nos órgãos autárquicos, a vivência do pluralismo e a criação de um modelo de governança, são condições essenciais para gerar uma nova dinâmica local e abrir o Barreiro ao desenvolvimento sustentado, com economia, coesão social, cultura, qualidade ambiental e territorial.
O Barreiro tem futuro, com uma nova maioria política, com outra correlação de forças, sem maioria e poderes absolutos de um só partido, em que a criatividade e conhecimento dos munícipes valham mais do que a confiança e o controlo político.
Humberto Candeias
Candidato à CMB pelo Bloco de Esquerda














