A SEMENTE DA EDUCAÇÃO EM PORTUGALPor Tiago Bento
Barreiro

Por Jornal Rostos
Nestes últimos dois anos temos vivido um tempo de exceção, um tempo em que as palavras que imperam são palavras com uma conotação marcadamente negativa. Fala-se em sacrifícios, fala-se em empobrecimento e diminuição do poder de compra das famílias, em nome de um bem maior (que não se percebe bem ao certo qual), e do elevar de Portugal a um país novamente competitivo e economicamente estável com um desenvolvimento sustentável. Esperava-se, que com tal colossal esforço, a qualidade de vida das famílias fosse restituída, o que seria justificado e compreendido se fosse acompanhado pelas tais externalidades positivas. Contudo, tal não acontece ou parece não acontecer e assiste-se a um claro desmantelamento do Estado Social e das múltiplas dimensões que este comporta. Hoje, até pelo encerramento do ano letivo, torna-se pertinente uma reflexão cujo foco essencial incida sobre a dimensão educativa.
Considero que a Educação deve ser vista como uma prioridade que formará e educará uma quantidade imensa de alunos, e que com os conhecimentos e instrumentos de intervenção cívica que vão adquirindo ao longo de todo o seu percurso académico, se podem revelar uma ferramenta essencial para o desenvolvimento do país, criando assim deste modo condições para a saída desta crise, ao assumirem-se assim como uma peça chave de qualquer sociedade dos tempos modernos.
Deste modo, começa a ficar claro que condeno absolutamente o “ataque e desinvestimento” que tem sido feito na educação pública, tendencialmente gratuita, universal, geral e de qualidade, com o único propósito de cumprir metas orçamentais, não levando em consideração o caráter basilar e fundamental que a educação desempenha em termos sociais. Tais cortes e reduções vêm pôr em causa todos os investimentos e apostas feitos anteriormente e que nada contribuem para a dignidade da educação em Portugal, sobretudo quando contextualizado ao nível do espaço europeu, uma vez que já partimos de um atraso historicamente significativo quando comparado com outros sistemas educativos da União Europeia.
A aposta e investimento na educação deveriam ser vistos como um “salto para o futuro”, na perspetiva que tal investimento, a médio-longo prazo, contribua indubitavelmente para a formação de bons quadros munidos com o conhecimento e experiência necessários para o avançar do país. Infelizmente não é esta a linha de visão deste Governo e deste Ministério da Educação, que encaram a Educação como um alvo de redução de custos, através do despedimento de professores, aumento do número máximo de alunos por turma, a agregação de escolas sem evidência claro quanto às suas vantagens, e pela consequente e progressiva diminuição dos apoios aos passes sociais. Como seria de esperar, estas dúbias e suspeitas decisões fizeram-se acompanhar de consequências extremamente negativas e que culminaram neste triste epílogo que foi a greve dos professores aos Exames Nacionais de Português do 12.º Ano e adiamento dos Exames Nacionais de Matemática do Ensino Básico. Outra coisa não seria de esperar, e importa sobretudo refletir sobre tal, avaliando assim as razões que levaram milhares de professores a tomar tão brava e corajosa decisão, como forma de reivindicar e despertar consciências para com os seus direitos estilhaçados e progressivamente diminuídos. Torna-se evidente que professores descontentes se traduzem em métodos de ensino menos eficazes e produtivos, e que em última instância conduzem a alunos com resultados e classificações menos proveitosas, adulterando por completo aquilo que seriam as maiores premissas de qualquer sistema educativo pleno, equitativo e efetivo.
Por todos estes considerandos, fica evidente o caráter essencial e imprescindível que a educação deve representar em Portugal, cujo potencial é reconhecido pelas diversas classes profissionais, decisores políticos, alunos e famílias mas que persiste num subaproveitamento global. Assim, pelos nossos jovens, pela nossa educação e sobretudo pelo superior interesse nacional, urge a necessidade de ruturas e mecanismos de requalificação que visem sustentar uma verdadeira reforma estruturante ao nível do sistema de ensino em Portugal.
Tiago Bento
Estudante do Ensino Secundário
e Membro do Secretariado da Juventude Socialista do Barreiro














