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Quotidianos

Para o Algarve, e em força!Por Nuno Santa Clara
Barreiro

Com o Mediterrâneo e o Médio Oriente vedados, muitos turistas optarão pelo Sul da Europa. E, se alguns países apresentam problemas (Grécia, Balcãs, mesmo a Itália), não há melhor local para férias do que Portugal e seus brandos costumes, o seu ar de bom aluno, a sua submissão à Troika.
Portanto, e até para obviar a baixa de poder de compra de portugueses, agravada com o corte de subsídios, está na hora de lançar a Grande Campanha: para o Algarve, e em força!

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Para o Algarve, e em força! Por Nuno Santa Clara Barreiro

Por Jornal Rostos

Reina a inquietação. Os Estados Unidos da América estão em alerta – e deve ser caso sério, se não seria desnecessário, se não absurdo, encerrar as representações diplomáticas no Norte de África, no Médio Oriente (incluindo Israel!), e de outras áreas críticas, como o Afeganistão.
Isto na altura em que as pessoas normalmente viajam para férias, à procura do Sol e da Cultura do Mediterrâneo – esse Mediterrâneo que não só é um local de repouso privilegiado, como oferece ainda os testemunhos da nossa cultura greco-romana, bem como a origem do cristianismo, que estão nas origens das nossas instituições.
Grave será a ameaça, dado o alcance das medidas.
Mas, se não há tempestades em céu sereno, como foram detetadas as nuvens da trovoada que se avizinha?
Aos poucos, tem sido desvendado o mistério, como convém para a proteção dos serviços de informações e suas fontes. Ao que parece, foram as escutas de elementos ligados à Al-Qaeda que determinaram estas severas medidas de proteção.
Tudo certo, se não fosse uma palavrinha que fez disparar o disjuntor que todos temos instalado nas circunvoluções do cerebelo: escutas!
Escutas, precisamente, foi o que mais se falou nos últimos tempos, graças ao caso de Edward Snowden, o ex-analista que divulgou segredos sobre a máquina americana de escutas, a nível mundial.
Este caso vem somar-se ao da fuga de informações protagonizada pelo soldado Bradley Manning, que facultou à Wikileaks de Julian Assange milhões de dados classificados do Pentágono, e que está agora a ser julgado.
Diga-se, de passagem, que não foi considerado traidor ou espião. Sê-lo-ia, se vendesse os segredos a uma potência estrangeira; como apenas os publicou, ou seja, os fez chegar ao grande público, o enquadramento jurídico é outro. E bem andaram os juízes americanos: se o condenassem por traição, isso significaria que, para eles, a opinião pública era o inimigo, e nenhum país democrático pode aceitar essa ideia.
Debaixo de fogo, a administração americana tem que reagir. Como o fazer?
Já tive oportunidade de afirmar que não sou adepto da teoria da conspiração, até porque muitas vezes isso só serve para baralhar pistas. E não só na política: recorde-se o caso Sá Carneiro/Amaro da Costa.
Mas quando os indícios são claros, o caso muda de figura. Estas escutas providenciais vêm justificar um sistema fortemente contestado, que assim se vê reabilitado (pelo menos parcialmente), já que não deverá haver atentados, graças às medidas tomadas com base nessas vilipendiadas escutas.
Mas, como dizem os franceses, “à quelque chose malheur est bom”, ou seja, numa tradução livre, há males que vêm por bem.
Com o Mediterrâneo e o Médio Oriente vedados, muitos turistas optarão pelo Sul da Europa. E, se alguns países apresentam problemas (Grécia, Balcãs, mesmo a Itália), não há melhor local para férias do que Portugal e seus brandos costumes, o seu ar de bom aluno, a sua submissão à Troika.
Portanto, e até para obviar a baixa de poder de compra de portugueses, agravada com o corte de subsídios, está na hora de lançar a Grande Campanha: para o Algarve, e em força!
É certo que é uma palavra de ordem não muito original, mas, como a memória dos Homens é curta, deverá funcionar na perfeição.
Que o Algarve é seguro (sem trocadilhos), está demonstrado pela presença de tantos VIP (deve ser a maior concentração por metro quadrado).
E não há tempo a perder: já estamos em Agosto!

Nuno Santa Clara

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