As oportunidades de emprego de Pedro Passos CoelhoPor Alcídio Torres
Montijo

Por Jornal Rostos
Se Passos Coelho saísse hoje do Governo não seria preciso emigrar, regressar ou posto de trabalho de origem ou, na pior das hipóteses, cair no poço negro do desemprego. À sua espera estariam quatro ofertas aliciantes e irrecusáveis de emprego:
Primeira oferta de emprego: Como gestor de uma Companhia de seguros interessada na privatização dos serviços de saúde e da Segurança Social.
O ataque deste Governo à Segurança Social, em nome da sua sustentabilidade, tem um sentido único: tornar mínima a previdência pública para que as previdências privadas proliferem e prosperem. Este ataque à Segurança Social tem sido feito através do perdão de dívida da Segurança Social às empresas privadas, do corte de pensões e reformas aos pensionistas e reformados e da utilização do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social para financiar a dívida pública com a compra de obrigações. As Seguradoras estão à espreita e agradecem o esforço do primeiro-ministro para tornar realidade o sonho constantemente adiado da privatização. Aqui, as portas estarão, por certo, abertas a um novo emprego para Pedro Passos Coelho.
Segunda Oferta de Emprego – Como consultor num dos Grandes Fundos Financeiros de compra de obrigações da dívida pública portuguesa.
As dívidas públicas, segundo o Ministro das Finanças Alemão, constituem uma oportunidade única para países como a Alemanha.
Na verdade, os juros pagos anualmente pelo Estado português a Fundos financeiros internacionais, que se financiaram no BCE a juros baixíssimos, para comprar a dívida portuguesa a juros altíssimos, é um “negócio da China”. São transferências colossais do rendimento dos portugueses para os altos rendimentos de fundos especulativos. O que a Troika, em nome desses interesses, exige é que esses juros e encargos sejam pagos no menor tempo possível. Eles sabem que a sua ganância exige sacrifícios brutais aos portugueses, mas também sabem que têm confiança nos seus fiscais. Passos pode dormir descansado, porque as oportunidades de emprego nesta área são bem reais.
Terceira Oferta de Emprego – Como gestor de grandes grupos empresariais.
Os níveis de desemprego em Portugal têm como consequência uma baixa média dos salários e da massa salarial paga pelos grandes grupos económicos. As facilidades de despedimento, a redução do valor das indeminizações a pagar por despedimento, o aumento do horário de trabalho são apenas alguns exemplos do esforço de Pedro Passos Coelho para fazer aumentar a taxa média de lucro dos principais grupos económicos. Aqui Passos Coelho nada tem que recear. A oportunidade existe e ele não desperdiçará em caso de necessidade.
Quarta Oferta de Emprego – Na gestão de um dos Grupos Produtores de Energia Eléctrica
A empresas como a EDP, Portucel etc os contribuintes portugueses estão a pagar, na sua factura de energia, o preço das energias renováveis produzidas por estas empresas. Entre 2007 e 2012 a Portucel arrecadou 670 milhões de euros na venda de energias renováveis. Conclusão: Os accionistas desta empresa lucraram com o empobrecimento dos portugueses. Mais uma deslocação de rendimentos do trabalho para o capital.
Aqui Pedro Passos Coelho nunca poderá ver no desemprego uma oportunidade.
Mesmo as PPP (Parcerias Público-Privadas) só têm de agradecer ao primeiro-ministro o tempo que tem levado, sem efeitos substanciais, a estudar a complexidade labiríntica destes contratos leoninos.
Um ano antes de Passos Coelho vencer as eleições de Junho de 2011 um artigo do New York Times vaticinava que o actual primeiro-ministro seria o homem ideal para liderar Portugal. Nunca entendi bem o sentido de tal afirmação nem as razões que levaram o articulista a defendê-la com um espaço tão grande de antecedência. Três anos depois, percebo-as perfeitamente, assim como percebo a afirmação do líder do PSD de que “se lixem as eleições”. O país pode perder, mas Passos Coelho jamais será um derrotado.
Alcídio Torres














