A indiferença política do cidadão reflectido no aumento da corrupçãoPor João Carlos Soares
Barreiro

Por Jornal Rostos
Votar é quase uma obrigação e um dever do cidadão em democracia, fazendo as suas escolhas, atribuindo competências e delegando nos políticos a sua representação política.
Mas ainda mais importante que exercer esse direito, é perceber que num sistema democrático, a sua consolidação só será efectiva, quando a participação dos cidadãos resultar de uma participação activa na vida pública, não só através do voto, mas também no acompanhamento, controlo e contestação social, exigindo o cumprimento da lei por quem nos governa.
As democracias oferecem-nos, a oportunidade de resgatar a nossa cidadania, mas para que essa cidadania seja efectiva, é preciso que cada cidadão faça valer os seus direitos, cobrando as promessas apresentadas a sufrágio e exigindo a maior transparência dos seus representantes, no desempenho das suas funções.
O papel do cidadão nos processos eleitorais deverá ter como desígnio, sancionar os políticos corruptos, fiscalizando e preocupando-se com as atitudes dos governantes, numa exigência contínua pelo cumprimento dos deveres, direitos e obrigações plasmadas na Constituição, ter acesso privilegiada à informação, à liberdade e igualdade.
Esse tipo de participação é uma oportunidade, acessível a todas as pessoas, como veículo para alcançar a plena democracia, intervindo nos locais próprios e actuando na tomada de decisões políticas, contestando políticas públicas deficientes e expressando a sua escolha nos processos eleitorais através do voto.
Tornou-se comum ouvir pessoas dizerem que todos os políticos são iguais e que o acto de votar, para eles, é o cumprir de um ritual, quase uma obrigação, contudo o que essas pessoas não sabem, desconhecem ou não querem saber, é que sem um voto consciente, o futuro delas e dos seus, poderá vir a ser hipotecado e comprometido, porque poderão estar a entregar o comando do País ou Autarquias, nas mãos de pessoas sem escrúpulos, que usam o erário público em proveito dos seus próprio interesses ou de amigos.
Nem tudo se pode meter no mesmo saco, pois existem políticos declaradamente corruptos, que tudo prometem para ganhar a sua simpatia, mas nada cumprem, no entanto existem também aqueles que são competentes e com provas dadas, com passado visível, profissão conhecida e comprometidos na execução dos seus programas eleitorais, honrando os votos dos seus eleitores, cumprindo com os seus deveres com a maior transparência, o que certamente, não deverá ser esquecido ou escamoteado, sempre que um candidato se apresenta perante o sufrágio aos seus eleitores.
Nestes casos repetir a nossa opção de voto poderá valer a pena, se a avaliação que for feita dos candidatos for positiva, e não tiverem sido defraudadas as espectativas, neles depositados. Por isso, uma escolha consciente dos candidatos, e não apenas pela cor política, torna o seu voto muito importante, pois não terá motivos ou reduzir-se-á o risco de prejuízos no futuro e de se vir a arrepender das suas escolhas.
É preciso que os cidadãos não se esqueçam que o voto é uma arma poderosa contra a corrupção, pelo que quando for solicitado a escolher, saiba utilizá-lo.
E perguntamos nós, porque nada muda, eleições atrás de eleições? Não muda porque tudo depende da política e dos políticos, e com eles nada acontece, porque os mandatos são outorgados pela capa complacente do voto.
O voto nos mesmos tem-lhes concedido o direito à impunidade, porque tudo o que lhes é imputado rapidamente é abafado e passa a simples mexerico da oposição, ou institucionalmente arquivado à sombra e protecção da imagem do País.
O voto nos mesmos, tem permitido o direito a prometer e não cumprir, ao dilacerar da sociedade e seus valores de solidariedade, porque quer a Justiça, quer a Assembleia e o Presidente da República, são todos lacaios dos interesses capitalistas, porque quem poderia mudar o nosso destino, por forma a serem promovidas mudanças significativas no País, o povo e o seu voto, continua a ir na conversa do contexto europeu, e na inevitável crise que alastra por todo o Mundo.
Não existe interesse nem vontade, na maioria das estruturas partidárias, para que o povo na hora de votar, escolha com consciência candidatos decentes e competentes, para que se corrijam os desequilíbrios das populações, livrando-nos de governantes mal-intencionados e incompetentes que ocupam lugares fundamentais na governação do País e das Autarquias, quando a sua dolosa conduta e falta de ética, os deveria afastar imediatamente de qualquer tipo de cargo público.
Nada muda, nem poderá mudar, enquanto quem define as eleições, o Povo, e que são as maiores vítimas da tragédia para a qual nos encaminhamos, não sabe, nunca saberá, porque não parece ter vontade de ser o verdadeiro juiz da democracia. Não fará qualquer sentido gritar e espernear nas manifestações, se depois, no conforto do sofá, ou em qualquer esplanada de cervejinha na mão, à frente da caixinha de ilusões, em que se transformou o maior meio de comunicação, se esquecerem da vida real completamente alienados com as novelas e o futebol, faltando só o fado, para que o cheiro a mofo do sistema reaccionário e fascista salazarista se apodere de novo de um sonho que alguns nos querem retirar.
Se não for o povo, não serão as classes dominantes e uma parcela significativa da classe média, encostados à classe política, com as suas vidas e sobrevivência garantidas, que se estão bem lixando para o modelo eleitoral que permite a entrada de gente sem escrúpulos e retira cada vez mais o ânimo daqueles cidadãos honestos no interesse pela política, que as mudanças de facto sejam implementadas e capazes de evitar o colapso social para onde nos estão a conduzir, através de uma limpeza na política e de mudanças radicais na lei e processo eleitoral.
Portanto, temos à nossa disposição esses caminhos para voltar a sonhar o sonho que os corruptos insistem em querer transformar num pesadelo e, quem sabe, tornar a acreditar na actividade política e nos políticos. Pelo menos naqueles que não compactuam com a imoralidade dos que corrompem ou são corrompidos e, proporcionam à corja de resilientes políticos de carreira, com a sua triste conduta e falta de ética, um meio para atingir propósitos reprováveis.
Enquanto permitirmos com o nosso voto, o perpetuar na cena política de actores sem ideal, desonestos, corruptos e egoístas, ficamos expostos às consequências do velho ditado; “Cada Povo tem os Governantes que merece!”.
João Carlos Soares
Barreiro, 09 de Setembro de 2013














