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Quotidianos

Muito Mais do que Mudar as MoscasPor Arnaldo Frade
Santiago do Cacém

Não descuremos nem percamos de vista os cangalheiros rotativistas, ávidos do regresso ao passado, em nome do futuro, sobretudo, do seu!

3 min de leitura
Muito Mais do que Mudar as Moscas Por Arnaldo Frade Santiago do Cacém

Por Jornal Rostos

Os resultados obtidos pelo PS nas autárquicas no distrito de Setúbal exigem uma reflexão séria e serena, por parte dos seus dirigentes, militantes e simpatizantes. Ao contrário da tendência no país, no distrito assistimos a um revés eleitoral que ao partido se deve. Passámos de três câmaras municipais para duas, por oferta de Grândola e de Alcácer do Sal à CDU, com fortes responsabilidades da federação. Sem os erros por ela cometidos, eventualmente, teríamos conquistado quatro municípios. Mas a atual federação, acompanhada por algumas concelhias, revelou-se incompetente para imprimir uma dinâmica no distrito que permitisse não perder as câmaras municipais de presidência PS e conquistar novos municípios. Regredimos em todas os municípios onde éramos poder. A conquista de Sines foi uma exceção que devia ser a regra, tendo em conta, por um lado a má governação do PSD no país e, por outro o cansaço da governação CDU no distrito acompanhado da fragilidade dos seus candidatos em alguns municípios. Aproveitando a incompetência da federação e de algumas concelhias na forma como geriram o processo eleitoral, a CDU renovou-se e conquistou, ou manteve, posições que dificilmente perderá nos mandatos mais próximos. Esta é uma verdade insofismável que só não assume quem não quer, ou não lhe dá jeito para se manter no poder. Mas importa fazer uma análise mais profunda sobre a performance eleitoral do PS no distrito em termos autárquicos desde as primeiras eleições. Se a fizermos constatamos que nunca o partido chegou a conquistar, sequer, um terço dos municípios. Se o desempenho da federação assume maior relevância na dimensão autárquica, então percebemos as proporções do falhanço. Ficamos também conscientes que os dirigentes federativos que antecederam a equipa em funções não se revelaram muito mais eficazes que os atuais, tendo poucas razões para lançar pedras. O mesmo equivale a dizer que é preciso não calar o recente desaire eleitoral do PS em Setúbal e exortar os seus primeiros responsáveis a retirar ilações, caso não o façam voluntariamente. Mas também não se pode ignorar a similitude da atual situação com a gestão ineficaz no passado que nunca alcançou os mínimos exigíveis, se tivermos presente as vitórias do partido no distrito em eleições legislativas. Como é bom de ver, é preciso mudar quase tudo na intervenção política do PS no distrito, no que respeita às autarquias. É urgente um novo paradigma, que a todos convoque e que faça do PS o partido com mais municípios no distrito de Setúbal. Para o prosseguir não podemos apontar apenas o dedo aos outros e esquecer que todos temos a nossa responsabilidade, por ação ou por omissão. Claro está que o constante fracasso é, em primeiro lugar, da responsabilidade dos sucessivos dirigentes da federação e das concelhias, entre os quais me incluo. Por isso, será necessário muito mais que mudar apenas as moscas. Mas, na sequência do desastre a que o partido não foi poupado, mudá-las será, certamente, um bom princípio. Todavia, não descuremos nem percamos de vista os cangalheiros rotativistas, ávidos do regresso ao passado, em nome do futuro, sobretudo, do seu!

Arnaldo Frade
Foi:
Presidente da Junta de Freguesia de Ermidas-Sado
Presidente da Assembleia de Freguesia de Ermidas-Sado
Membro da Assembleia da Assembleia Municipal de Santiago do Cacém

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