Quem e que valores se exigem para afirmar«Este é o Candidato?»
Por Aliette Martins
Barreiro

Por Jornal Rostos
Enquanto cidadã a residir no Barreiro desde há muito tempo, embora nem sempre por cá tenha andando, todavia nunca deixei de estar atenta à realidade local, procurando conhecer aqueles que emprestam o melhor de si, o seu saber, até mesmo na lógica dos afectos, daí que seja uma evidencia que também estivesse atenta às eleições autárquicas.
Nesse sentido, antes de votar – votei sempre no Barreiro – como outros o terão feito, preocupei-me em saber quem seriam os candidatos à presidência da Autarquia e o que defendiam para o Barreiro.
Porque não devemos ter medos das palavras, importa aqui salientar que a análise feita por Sousa Pereira, na sua qualidade de Director do Jornal Rostos subordinada ao título “PS perdeu oportunidade histórica de ‘abrir caminho’ no Barreiro”, motivou a minha atenção em deixar um testemunho que se reflectirá em algumas considerações e perguntas, como sugestão e respeito pelo debate em aberto que o título em causa sugeriu
A análise feita ao texto estará em conformidade com o resultado eleitoral, porém o título da peça - com a amizade que tenho por ti, Sousa Pereira – deixa-me ser contestatária – leva-me ao impensável, perguntando-te: Estiveste distraído? Só poderia ter sido isso porque, os resultados eleitorais do PS estiveram à altura de qualquer ingénua previsão.
É preciso lembrar que o PS/Barreiro não teve um resultado isolado dos registados nos demais concelhos do Distrito de Setúbal nas passadas Eleições Autárquicas. A sua tremenda derrota foi de facto, a nível Distrital, como sabes. Por isso importa saber - seriamente - o que se passou. Evidentemente que não serei eu, nem cidadãos como eu que terão essa preocupação ou possibilidade de o fazer.
Isto é para te dizer que só não consegui perceber o que te levou a fazer a afirmação de que o “PS perdeu oportunidade histórica de ‘abrir caminho’ no Barreiro”, pergunto: Como? Votando em que candidato?
Se é importante analisar os resultados das Autárquicas - volto a sublinhar “não tenho medo das palavras”-, no nosso Distrito, o Partido Comunista teve uma vitória esmagadora. Isso não aconteceu por acaso. Tomemos por exemplo, Santiago do Cacém. É sabido e visível que o PCP prepara o melhor possível e, com muita antecedência, os candidatos que apresenta e apoia às eleições locais. Isto é indesmentível. Dessa maneira, quem vota no candidato apresentado, sabe em quem vai votar, isso livre de tricas e mexericos que proliferam em abundância, muitas vezes da responsabilidade de muitos políticos de meia-tigela que geralmente, à velocidade de um clique, são rápidos em negociar um lugar de candidato.
As populações já perceberam isso. Para o PS, também não deveria ser novidade. Cumpria-lhe não ter dado oportunidade a atitudes geradoras de conflito. Os ditados populares terão razão de ser: “Quem tudo quer, tudo pode perder”.
As afirmações que faço poderão ter a interpretação habitual por parte de muito gente, que é capaz de afirmar: “Pois é… no PCP não se discute. Continuam a comer criancinhas ao pequeno almoço”, enquanto outros não terão dúvidas em afirmar que “(…) no nosso Partido temos opinião, etc. etc. etc… No entanto, esses argumentos caem por terra, quando muita gente acaba por ficar a saber a “guerra suja”, para impor “O Candidato”, que meia dúzia de iluminados desejam.
- Será isso democracia? Pergunto.
Já muitos hoje acreditam que não e, para não me alongar mais, deixo aqui mais uma pergunta:
- Porque motivo - mesmo que seja um militante de base, daqueles a quem se pede apenas para ser um número e pagante de quotas - que exerça o seu dever cívico, terá que ter o dever num estranho que lhes surja pela primeira vez nos cartazes, só porque o personagem em causa – como acontece um pouco por todo lado - quer ser presidente da Câmara” ou, perdendo na contagem dos votos, dar conteúdo a um frágil currículo para – supostamente – vir a voar mais alto dentro do partido pelo qual concorreu? Ou seja, a autarquia que escolheu (ou foi escolhido, na lógica dos interesses pessoais), não passa de um “trampolim” para a concretização de outro desejo do candidato apresentado, ou – ainda – cumpre normas da estratégia de quem supostamente o orientou. O Povo aqui não contará para nada. Tem contado o poder do dinheiro até certo ponto. Entretanto, esse tempo parece que está a passar. Os “Independentes” aí estão a dar cartas…
É evidente que as novas gerações não são tolas e, os mais velhos “dizem não” ao poder bacoco de alguns.
Sousa Pereira, muito haveria a dizer sobre candidatos e eleições, mas porque assim é, já passou, fico por aqui. Mais não digo …
Aliete Martins














