Associativismo - Congresso de MudançaPor Dourado Mendes
Barreiro
Tinham passado quarenta longos anos sobre o último congresso de coletividades. Era tempo dos dirigentes associativos encontrarem-se, a nível nacional, e trocarem opiniões sobre o muito que havia a fazer nas coletividades.

Por Jornal Rostos
Já passaram 20 anos sobre a realização do Congresso das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, designado por CONGRESSO DE MUDANÇA, que foi organizado pela Federação Portuguesa das Coletividades e a Federação das Coletividades do Distrito do Porto.
Nos dias 30 e 31 de 1993, no Complexo Desportivo de Almada, cerca de setecentos dirigentes de coletividades vindos de todos os pontos do país, participaram num “debate e reflexão sobre as imensas realidades, problemas, projetos, acções e dificuldades que caracterizam o movimento associativo”.
Tinham passado quarenta longos anos sobre o último congresso de coletividades. Era tempo dos dirigentes associativos encontrarem-se, a nível nacional, e trocarem opiniões sobre o muito que havia a fazer nas coletividades.
Participaram alguns que se deslocaram de Bragança, Viana do Castelo, Faro, enquanto outros ao pé da porta ignoraram o Congresso ou inscreveram-se e, depois, não compareceram. Ainda há “associativistas” muito avessos à discussão sobre os problemas do associativismo e quando se fala em grupos de estudos associativos, então, ficam horrorizados. A não discussão é o caminho mais fácil e mais seguro para manter o Poder. Sim, porque o Associativismo também é Poder. Um Poder que deve ser,sempre, democrático.
Em dois dias, discutiu-se o associativismo que se pratica nas coletividades de cultura, recreio e desporto, estabeleceram-se contatos entre desconhecidos, trocaram-se opiniões num espaço de liberdade e democracia, surgiram novos olhares sobre as coletividades que devem manter os seus valores, os seus princípios, ao mesmo tempo que se renovam.
E num intervalo do Congresso, a convite da Câmara Municipal de Almada, tiveram a oportunidade de assistir à inauguração do Monumento ao Associativismo Popular e à declaração de Almada Capital do Associativismo.
No final do Congresso, foi aprovada e bastante aplaudida uma proclamação apresentada pela Comissão Organizadora e escrita por Sousa Pereira, que se transcreve:
Proclamação do Dirigente Associativo
1 – Somos um querer, uma vontade, um desejo, uma força que dá vida, humaniza, as comunidades onde agimos movidos pela palavra “fazer”.
2 - Somos homens, mulheres, jovens, idosos, crianças que transportamos, reconstruimos, os valores éticos e patrimoniais que têm sido transmitidos de gerações para gerações.
3 – Sentimos com a nossa acção que os dias têm outras cores, são uma festa, onde a palavra solidariedade e amizade se descobre num olhar de sonhos partilhados.
4 - Sentimos que o futuro espera, neste presente, pelas sementes lançadas, hoje e aqui, Almada, cidade erguida como capital do Associativismo Popular.
5 – Exigimos, por isso assumimos o nosso trabalho, como força criadora e motivadora, experiência de uma vida participada, partilhada, onde a ideia de democracia se estende para além do acto de votar periodicamente.
6 – Exigimos, porque somos cidadãos de corpo inteiro, o direito ao reconhecimento e estatuto que merecemos, porque todos os dias somos escola, convívio, espaço de formação, sociabilização, de futuro.
7 – Acusamos os que nos esquecem, nos marginalizam, os senhores do Poder Político, muitos nascidos no nosso seio, e que permanentemente nos tratam como parentes pobres, caminhantes de um projeto em declínio, sem espaço nesta Europa de “Engenharias Culturais e Desportivas”.
8- Proclamamos 1994, o Ano Nacional do Associativismo Popular. Um ano que queremos de festa, porque de festa é feito o nosso quotidiano.
9 – Proclamamos como vivos os valores que movem a vida associativa – a adesão livre e voluntária, a democracia, a gestão participada e partilhada, a solidariedade – o futuro.
10 – Proclamamos que o Associativismo tem futuro, é futuro, porque é junto do nosso povo, herança de gerações, querer que nos anima a construir um presente – um amanhã chamado Solidariedade!
Almada, 31 de Outubro de 1993
Dourado Mendes














