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Quotidianos

A MAIS RECENTE MACHETADAPor Hélio Bernardo Lopes
Barreiro

O saldo de tudo isto são as risadas e gozações que se vão podendo ouvir a cada esquina, sempre que o assunto é tratado. Mesmo gente da atual direita política já não deixa de rir com as machetadas do Ministro dos Negócios Estrangeiros, dado que o assunto deixou de ser tema para levar a sério.

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A MAIS RECENTE MACHETADA Por Hélio Bernardo Lopes Barreiro

Por Jornal Rostos

Se qualquer de nós, partidariamente desinteressado, procurasse encontrar um símbolo do desastre do político do atual Governo, esse símbolo, a grande distância dos mil e um restantes, é Rui Machete. Acho até graça o ter podido escutar comentários duros e cáusticos sobre Miguel Relvas por parte de Diogo Freitas do Amaral – e como tinha razão! –, e olhar agora o completo silêncio sobre um seu histórico amigo de sempre, de que tomei conhecimento, pela primeira vez, nos ESTUDOS DE DIREITO PÚBLICO EM HONRA DO PROFESSOR MARCELO CAETANO, surgidos ainda antes da Revolução de 25 de Abril, quando o velho académico desempenhava as funções de Presidente do Conselho.
Tenho para mim que Rui Machete, com a sua já longa – parece estar parar durar – sucessão de machetadas, acabou por ultrapassar completamente Miguel Relvas, embora pelos piores motivos. Desta vez, foi o valor da taxa de juro, que teria de ser inferior a quatro e meio por cento, porque a ser superior, bom, lá viria mais um resgate, naturalmente da responsabilidade do Tribunal Constitucional, embora já pelas decisões tomadas nos anos anteriores, uma vez que se percebe já que a pressão terá sido agora tanta, que irá conseguir resultados que poderão vir a surpreender os desavisados...
Neste caso, porém, Rui Machete, malgrado as suas reiteradas machetadas, é, inquestionavelmente, o menos culpado. O principal culpado é, claro está, o Primeiro-Ministro, porque se decidiu a convidá-lo e porque persevera em mantê-lo. Mas há também uma responsabilidade que tem de se atribuir ao Presidente Cavaco Silva, uma vez que lhe competiria sempre, perante quanto já se viu, exigir a saída de Rui Machete de um modo que não comportasse tolerâncias.
O saldo de tudo isto são as risadas e gozações que se vão podendo ouvir a cada esquina, sempre que o assunto é tratado. Mesmo gente da atual direita política já não deixa de rir com as machetadas do Ministro dos Negócios Estrangeiros, dado que o assunto deixou de ser tema para levar a sério. E o País, tal como os portugueses, lá vai, naturalmente de mal para pior, com a generalidade destes últimos já completamente concisa do desastre humanitário que os espera, bem como às suas descendências.
Quando escrevo este texto, não ouvi ainda quaisquer comentários do socialista democrático Luís Amado, quase certamente chamando a atenção de todos nós para o imperativo de evitar falar de política externa em público, mesmo que quem arraste essa área para a barafunda política seja o próprio titular da pasta, em tão má hora escolhido para o lugar, de pronto aceite pelo Presidente da República e que por lá se vai mantendo, de machetada em machetada.
Pelo meio de tudo isto, a Constituição da República lá vai sendo despedaçada aos poucos, apenas faltando – e por quanto tempo...? – a colaboração do PS, de quem Mário Soares volta agora a pretender um reencontro das esquerdas... E, de facto, perante a queda abrupta do Bloco de Esquerda e a subida do PCP, talvez os bloquistas lá se determinem a alinhar com o PS, sobretudo, se este conseguir chegar nas sondagens aos quarenta por cento. Se com mais cinco faz quarenta e cinco, talvez a coisa dê para um acordo de incidência parlamentar, e até com governantes bloquistas.
Neste entretanto, eis que os magistrados parecem ter acordado, depois de se terem deitado a espezinhar José Sócrates e o anterior Governo, e de se terem deixado embalar pelas cançonetas que se têm vindo a ouvir de há uns dois anos e meio a esta parte, erradamente esquecendo as palavras do Bastonário da Ordem dos Advogados. De molde que deixo uma pergunta: quanto falta para pôr um fim na estrutura do Sistema de Justiça que temos, e quem apoiará tal iniciativa?
Muito sinceramente, ainda pior do que isto só François Hollande, agora vaiado nos Campos Elísios quando homenageava os que combateram na I Guerra Mundial e quando passava mais um aniversário do fim do conflito a Ocidente. Creio que consigo imaginar o sacrifício de François Hollande no desempenho das suas atuais funções, objetivamente sem caraterísticas para as mesmas nem capacidade política para enfrentar o tempo louco destes dias. Um profundíssimo desastre europeu. Mas, vá lá, temos a democracia.

Hélio Bernardo Lopes

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