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Quotidianos

Verde,Bem Estar,SaúdePor José Caria
Montijo

A oferta de Espaços Verdes Urbanos seguros, limpos e confortáveis tem impactes na saúde, medidos de forma directa, através do estado de saúde autoavaliado e longevidade e, de forma indirecta, através da melhoria da qualidade ambiental.

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Verde,Bem Estar,Saúde Por José Caria Montijo

Por Jornal Rostos

No século XXI, algumas das maiores questões políticas e académicas dizem respeito ao ambiente, à sustentabilidade, à qualidade de vida urbana, ao bem-estar e à saúde das populações. Estas preocupações são também o resultado da progressiva urbanização do espaço (em 2008, 50% da população mundial vivia em cidades) e da aparente contradição entre o papel historicamente desempenhado pelas cidades, enquanto criadoras de riqueza e geradoras de bem-estar, e a actual realidade urbana de pobreza, insegurança e anomia.

Nesse sentido, o ordenamento do território e o planeamento do espaço urbano não deve deixar de associar os aspectos
“físicos” (infra-estruturas, edificações, equipamentos, espaços verdes, entre outras) às dimensões imateriais da
cidade (percepção da segurança, sentido de pertença, confiança, etc.); pensadas em conjunto, contribuirão para melhorar a qualidade de vida, bem-estar e saúde das populações.

A oferta de Espaços Verdes Urbanos seguros, limpos e confortáveis tem impactes na saúde, medidos de forma directa, através do estado de saúde autoavaliado e longevidade e, de forma indirecta, através da melhoria da qualidade ambiental. Por exemplo, a proximidade desses Espaços às áreas residenciais contribui para a melhoria da qualidade do ar, atenua o efeito da poluição e a “ilha de calor urbano” e proporciona aos residentes um ambiente físico que
incentiva a prática de actividade física, incluindo a marcha.
Ainda, a existência de Espaços Verdes Urbanos próximos da residência e a sua utilização melhoram a capacidade de concentração e disciplina das crianças (principalmente do sexo feminino) nas actividades do dia-a-dia, proporcionam o alívio do stress urbano e da fadiga, com consequências na diminuição da agressividade e da violência, e influenciam a capacidade de relacionamento com os vizinhos e os sentimentos de pertença a um lugar (bairro, cidade).

Para tal, é particularmente importante garantir o acesso a bens e serviços de qualidade, a espaços públicos adequados e com baixos níveis de ruído e poluição, incluindo espaços verdes urbanos , e proporcionar uma rede de transportes públicos confortáveis, seguros e eficientes.

Desde há mais de 30 anos que se sabe que os serviços de saúde são insuficientes, por si sós, para obter ganhos em
saúde. A declaração de Alma-Ata , chamava a atenção para o papel das várias instituições e sectores de actividade na prevenção da doença e promoção da saúde, principalmente nos países de maior vulnerabilidade económica e social. De facto, tem-se vindo a verificar ser necessário expandir a avaliação,
o planeamento e as acções de saúde pública para além do campo restrito do sector da saúde.

Para estudar as características dos espaços verdes , podem escolher-se ,por exemplo, cinco parques/jardins, tendo em conta a dimensão e a utilização.
Nos Espaços Verdes Urbanos seleccionados aplica-se um questionário que pode considerar nove grupos de variáveis: (1) limpeza; (2) protecção; (3) conservação; (4) vegetação; (5) acessibilidade ao espaço verde; (6) qualidade das infra-estruturas de recreio; (7) qualidade do espaço verde; (8) existência e qualidade da sinalética; (9) percepção da segurança. Para a obtenção de valores finais, pode ser utilizada uma ponderação de vários indicadores em cada uma das variáveis, que varia entre 1 e 5 .

Podem ser construídos cenários (modelo lógico/causal) que indicam, prospectivamente, as alterações nas iniquidades
em saúde evidenciadas , pela implementação de acções na componente relativas aos espaços verdes e avaliados os impactes em saúde (estado de saúde autoavaliado).

A utilização dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) pode permitir avaliar: 1. dimensão dos Espaços Verdes Urbanos ; 2. distância entre a população potencialmente utilizadora e os Espaços Verdes Urbanos. Pode, ainda, ser possível identificar e avaliar as áreas (bairros) e as populações (grupos de idade) segundo níveis de acessibilidade a esses Espaços e adequar aos padrões mínimos definidos pela Direcção-Geral da Tutela .

Já há muito trabalho executado e em desenvolvimento nesta área . Mas pode ser melhorado .

José Caria

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