NUNCA PENSEI!Por Hélio Bernardo Lopes
Barreiro

Por Jornal Rostos
Este meu texto, num certo sentido, nem valeria a pena ser escrito, tal é o ridículo e o caricato que todos pudemos agora ver ao redor das práticas sempre seguidas pelas diversas comunidades de informações, desde os países mais pequenos ou fracos, às maiores potências do Mundo. E tudo na sequência das revelações de Edward Snowden.
Apenas me determinei a escrever este texto com dois objetivos: chamar a atenção do leitor para a notícia surgida na Holanda, de que existe em Portugal, na região sudoeste, um dos postos da rede de espionagem da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, e salientar a nula reação oficial das nossas autoridades, entendidas aqui no seu sentido mais amplo.
O primeiro aspeto, pelo lado dos cidadãos, mormente dos mais atentos e interessados, quase não suscita reação, uma vez que essa teria sempre de ser a realidade. A existir alguma estranheza, será pelo facto de se tratar apenas de um posto. E, em boa verdade, como imaginar que pudesse ser outra a realidade, num país onde, não há muito tempo ainda, estiveram aqui norte-americanos a ensinar os nossos polícias a descobrir vigarices passadas através da INTERNET?
Em contrapartida, o segundo ponto é deveras desagradável, porque o silêncio cabal das nossas autoridades – de soberania e outras – só poderia ser quebrado por uma de duas vias: ou para desmentir a notícia – ninguém acreditava –, ou para garantir que tudo estava a ser tratado com as autoridades americanas, que é um caminho que não se encaixa no perfil da nossa atitude política atual.
O que este caso mostra é que ser realmente independente tem um preço muito elevado. E para quem tem agora de voltar a acompanhar o estudo da História de Portugal com os seus netinhos, permite perceber como, de facto, a História se repete. A verdade, como se sabe bem, é que as nossas elites nunca foram de grande patriotismo. É caso para que se diga, em face desta revelação recente: nunca pensei!
Hélio Bernardo Lopes














