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Quotidianos

PoesiaPor Maria Jorgete Teixeira
Barreiro

Tela pintada pela voz dos sonhos, asa de mariposa rasgada, despedaças-te nas mãos do poeta, para ressuscitar pelos aflitos. Vestes-te da alma do povo, chorando na guitarra, dançando nos pés do tango e nas ancas do samba.

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Poesia Por Maria Jorgete Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

Poesia

Bailas enlaçando as sílabas e constróis palavras que o coração segue na angústia de encontrar o início de todas as coisas.
Cheiras a pitangas e a chuva e em ti vivem malmequeres que vão chamar o sol todos os dias e à noite sopras poalhas de beijos no peito dos amantes.
Ardes na fimbria dos sentidos, em vias lácteas de abismo e de torpor.

Tela pintada pela voz dos sonhos, asa de mariposa rasgada, despedaças-te nas mãos do poeta, para ressuscitar pelos aflitos. Vestes-te da alma do povo, chorando na guitarra, dançando nos pés do tango e nas ancas do samba.

Existes mesmo no silêncio, nos espaços mortos, nas fendas entre as sílabas…

És espada que trespassa o medo, lírio de doçura,
Solta como grão de areia, pesada como lágrimas
Vivo-te porque és sangue, punho, água e trigo…
Morres-me de cada vez que ao chamar-te não te encontro.

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