DespedidasRicardo Bernardes
Montijo
Na partida e na chegada
Dos navios, despedir-me
E reencontrar-me… com desconhecidos.

Por Jornal Rostos
Despedidas
Vou ao cais, à despedida dos navios,
Vou sozinho, dizer adeus a desconhecidos,
E depois fico a vê-los partir
Ao fim da tarde, com um
Sorriso de aventura.
O pôr-do-sol é sempre renovado.
Renasce, revolve-se, sucede-se diariamente,
Mas nunca se repete.
E as águas, doces,
Desesperadas, espelho
Dos anseios dos que partem
Na viagem, deslizam suaves
Na quilha do navio,
Rebentam em tufos de espuma
No êxtase das gaivotas
Da hora da despedida.
No cais há lágrimas na partida, e
Do navio, entre malas e sorrisos,
Acena-se com lenços brancos
E olhares vagos, imbuídos de saudades.
O regresso nunca se deseja quando se
Começa uma viagem,
E do outro lado, no cais da
Despedida, o tempo passa
Mais devagar na ausência dos que partem.
De manhã, o sol espreguiça-se
Pelo mar em chamas,
E o azul da praia entra
Com os primeiros raios de luz
Pelas janelas dos aventureiros
No convés, há um cheiro a paraíso,
E em cada porto, um sabor a despedida.
As malas trazem sempre novas histórias
Para contar. De aventuras, de pessoas,
De momentos, de lugares.
As malas, as fotografias,
Fieis comparsas dos aventureiros,
Na hora de contar as façanhas
Aos que estão no cais à espera do navio.
No regresso há abraços comovidos,
Lágrimas, olhares estampados de
Entusiasmo.
No regresso e na partida,
Todos se conhecem,
Os que partem,
Os que ficam…
Menos eu.
Porque eu, vou sozinho ao cais,
Na partida e na chegada
Dos navios, despedir-me
E reencontrar-me… com desconhecidos.
Ricardo Bernardes














