Dia Mundial da Poesiaa canção das chamas
Por José Caria
Montijo

Por Jornal Rostos
a canção das chamas
então vem o poeta
e divisa
na massa amorfa
que passa pela rua
uma figura humana
mulher homem
velho jovem criança
num relance
o que era
sombra errante
vira gente
o que era opaco
transparece
varado
pela luz da percepção
aquele vulto
que parecia vazio de sentido
começa a ter voz
até mais de uma voz
vozes
antes todos os caminhos iam
agora todos os caminhos vêm
na casa acolhedora
os livros muitos
e eu mesmo
preparo o chá
para os fantasmas
a vida é um incêndio
nela dançamos
salamandras mágicas
que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta ?...
no meio dos toros que desabam
cantemos
a canção das chamas !
cantemos a canção da vida
na própria luz consumida
quem tem ouvidos, ouça! ...
José Caria














