Se eu fosse uma gaivota...Por António Neves
Barreiro
Não me afastaria do mar
Voaria costa a costa
Dia e noite a observar

Por Jornal Rostos
Se eu fosse uma gaivota...
Se eu fosse uma gaivota
Não me afastaria do mar
Voaria costa a costa
Dia e noite a observar
Vendo um barco em apuros
A transbordar de emigrantes Exaustos e inseguros
Correria aos governantes:
Acudam que em vossos mares
Vai ocorrer uma tragédia
Se auxílio não prestardes
Vou acusar-vos aos media
Será que uma gaivota
Pode algo fazer sozinha?
Baterei de porta em porta
A chamar uma vizinha
Duas gaivotas unidas
Já podem muito fazer
Se forem bem sucedidas
Algo pode acontecer
Será que alguém vai ouvir
Nesta era ruidosa
Duas gaivotas a pedir
Tarefa tão perigosa
E os pobres fugitivos
Desses países em guerra
Soltam gritos aflitivos
Sem serem ouvidos em terra
Se eu fosse uma gaivota
Que ninguém quisesse ouvir
Voaria até à costa
Para milhares reunir
Esvoaçando agrupadas
E aos gritos bem sonantes
Não mais seriam poupadas
Censuras aos governantes.
Daria algum resultado
Esta ação isolada?
Deverei ficar calado
Parada sem fazer nada?
Não, uma gaivota não pára
Nem deixa as outras parar
Pegaremos numa vara
Ninguém nos irá escapar
Nos tempos em que vivemos
Não pode haver gente a morrer
Onde quer que estivermos
Temos de os ir socorrer...
António Neves














