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Quotidianos

Suspenso numa luz oblíquaPor Alvaro Giesta

Suspenso numa luz oblíqua

1 min de leitura

Por Jornal Rostos

Sonhei que cruzava o espaço nas gáveas
do tempo
suspenso numa luz obliqua.
Para lá dos horizontes perdidos
via almas carentes
pendentes
numa busca incessante de corpos
esquecidos.
E em redor do tempo fugidio
uma torrente incrédula de sons
a contaminar a descrença da sua própria realidade.
Já nada é verdade!
Cruzam-se as avenidas numa cidade
apagada
que o tempo fez ruir e perpetuar
em coisas de nada.
Para lá dessa verdade um cone de luz.
E espreitei por esse cone de luz
tão viva
que me ofuscava a razão e flutuava
nas linhas indefinidas do horizonte.
Vi olhares de angústia em sonhos
doridos
e seios acúleos e brancos e frágeis
sedentos
e acesos nessa penumbra no meu regresso
à tarde.
Nesse mês de loucura e de inverno
nesse frio inferno
de eterno descanso, um céu de fragrância
sem cor e sem luz.
Nesse inferno que almejo e céu doloroso
que invento
mergulhei sem sentidos e na busca
desse cone de luz que enfeitiça e seduz
cai sonolento.

Alvaro Giesta (pseudónimo

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