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Quotidianos

minha cabeça febrilPor Alvaro Giesta

Houve tempo em que com os meus dedos firmes eu fazia vibrar as flâmulas da vida...

2 min de leitura

Por Jornal Rostos

Minha cabeça febril estremece. Ela tem tantas coisas
para pensar. Eu tenho tantas coisas para dizer
urdidas nesta cabeça febril que pensa. Eu procuro
escrever a cor das ideias que afluem à minha cabeça,
sem saber sequer se elas têm cor. Creio que elas podem
ter a cor que nós lhe quisermos dar, nesta loucura
que pensa tudo e pensa nada ao mesmo tempo.
Coisas como a insustentável leveza do ser.

Bate-me a alma por dentro. Pum-pum, pum-pum…
sempre neste bater constante. Parece um coração
a bater na expectativa de não perder a vida.
Às vezes é já um bater ténue que se transforma
no gorgolejar de um ruído áspero dum barco
que se afunda aos poucos. O meu barco sem velas
e sem bússola num horizonte desconhecido.
Na minha cabeça o silêncio tentador,
com misturas de imprevistos, faz doer.

Houve tempo em que com os meus dedos firmes
eu fazia vibrar as flâmulas da vida. Hoje, com eles,
eu toco ao de leve, apenas, as trémulas campânulas
da luz. Desta luz que ainda teima e alumia. Da luz
que da noite se faz dia. Da luz que tomba à mesa
dos pobres na sua infantil aura de agonia.

Alvaro Giesta (pseud)

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