Gela-me o rosário do tempoPor Alvaro Giesta
Por Jornal Rostos
os sentidos.
Fico abstracto. Esqueço-me de mim.
Paira o silêncio absurdo dos inimigos
na brutal força deste campo de batalha.
Envolve-me, neste silêncio extenuante,
o medo que tenho de encarar a vida.
Sinto o medo
martelar-me o peito em pancadas
na densidade da carne mesmo sabendo longe
o rebentar medonho das granadas.
Já não há a doce integridade do tempo.
Desunem-se os fragmentos do espírito
na assimetria impura das invenções.
Busca a essência,
noite dentro, alta noite,
sem vontade e sem querer,
o meu génio interior, em que medita,
na espessura das coisas mortas
laboriosamente urdidas para esquecer.
Gravita a sombra
das minhas mãos com que escrevo
na brancura do papel.
Deslizam os dedos que constroem
docemente
e outras vezes com braveza
a forma absorta e teimosa
de dizer.
E canto friamente
tão friamente a taciturna pureza
do que penso, que me firo tantas vezes
sem querer.
Alvaro Giesta (pseud)
http://www.alvarogiesta.com/














