Linha IninterruptaPor Alvaro Giesta
Abraço
Por Jornal Rostos
Poema 8. Silenciosamente, o Tempo
Sinto o teu rumor, pelo silêncio
desta casa murmurar.
Alumias silenciosamente o tempo
nesta cegueira
intermitente, qual fogueira
na esperança que te consome
e me tortura
em medida desmedida
impossível de dizer
mesmo quase a naufragar.
Eis-me, aqui!
Exausto e cansado, obscuro
em exclusão incendiada
à espera de voltar
Poema 14. Tempo… e Pó
Tempo sem cor.
Tempo de nenhuma paixão.
Tempo de morte, de dor… tempo de cegueira ilusão.
Tempo sem rosto.
Vazio. Só e vazio! Como nós…
Tempo que gela de tanto frio na voz.
Tempo frio e só. Sim! Só. Porque o tempo
também é frio e vive muitas vezes
só! – é quando o tempo não tem rosto
ou o perde
cansado de já o ter tanto;
é quando o tempo já não tem pensamento
de coisa nenhuma,
nem pelo menos um gesto,
inútil, que seja,
para tentar dar vida ao tempo
que já o não é.
Daqui a pouco tempo, muito pouco tempo
o tempo será apenas…
pó.
© Linha Ininterrupta de Alvaro Giesta
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