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Quotidianos

“Palavras Inquietas”Alvaro Giesta

Um pedido de desculpas urge dar pela minha ausência do jornal.
E torna-se imperioso que o apresente muito especialmente ao Sousa Pereira,
digno director e difusor da palavra escrita e divulgador de Rostos.
“Rostos” jornal, “rostos” pessoas. Não só no concelho do Barreiro mas por esse mundo além, onde a tecnologia desassombradamente chega.
Ausência nesta colaboração poética, pois os afazeres que envolvem qualquer autor quando se abalança a fazer publicar uma obra, são por demais absorventes no trabalho de selecção que se impõe.

2 min de leitura

Por Jornal Rostos

Dois poemas que farão parte de “Palavras Inquietas”

Celebro o lugar

Celebro o lugar impossível de alcançar
irrevelado
presente na imensidão duma glória desdenhada.
Será abismo ou negro céu?
Soam trombetas hinos de glória
e hossanas
e tudo se revela nessa imensidão do nada.

Caminho pelo deserto aureolado de sóis
e luas por descobrir.
Nesta imensidão me perco e me encontro.
Ao fundo do deserto a miragem que alucina
enganadora, encantatória, negra, iluminada.
Ela é o ponto primordial de tudo,
é a unidade dilacerada.

Corre a minha sombra, foge de mim mesmo,
nas areias escaldantes do deserto
cai atordoada e perdida.
A minha sede grita fundo…
A ânsia da procura de mim mesmo
atormenta-me.
Mordo as areias numa ânsia incontida.

Grita a raiva em mim

Grita a raiva em mim… vibrante o corpo
dormente o cérebro, estremece a alma toda
por dentro aos solavancos;
Rompem auroras novas sem promessas nos altares
das distâncias
inclina-se a voz do tempo, grita a raiva em mim
em recordações austeras e póstumas
de ausências.

Mortos em silêncio
encontram-se nos segredos
de mil campas rasas ainda por abrir.
Nada é existência!
Vertem rubro sangue mil rios no deserto
gritam as gaivotas gritos de amargura
grita-me ao ouvido, entre assombros, os escombros
da voz da consciência.

Despedaçam-se corpos
abrem-se crateras
no estoirar das bombas em ventos de guerrilhas
por esse mundo fora;
Choram as mães viúvas a perda dos seus filhos
vejo estropiados, prisioneiros, mortos
põe-se agora o sol com sombras de amargura
no romper de aurora.

© Palavras Inquietas de Alvaro Giesta
http://www.alvarogiesta.com/
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_europa.asp?ID=662

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