Do meu grito em revoltaPor Álvaro Giesta

Por Jornal Rostos
Do meu grito em revolta
III
Vem do fundo do tempo
como que da profundidade duma face que envelhece
mas fica sempre com uma esperança nova na alma
esta vontade férrea de perguntar
o que é o homem, senão um bicho sem asas
que rasteja eternamente quando se recusa a gritar?
O que é o homem quando prefere o culto do trivial
e se contenta com míseras missas apologéticas
com que o fazem calar?
O que é o homem quando não vai ao fundo
dos acontecimentos
e se borra todo como as crianças
com medo de se enganar?
O que é o homem quando lhe batem os pés
como fazem aos gatos e o fazem fugir
para a sombra e nela permanecer
de face escondida a tremer?
O que é o homem quando se cala e se acomoda
às ideias que lhe vendem
e às promessas que lhe fazem para o impedir
de dizer?
Um homem assim não é coisa nenhuma!...
É apenas uma coisa qualquer sem vontade
um ingénuo, um fogo-fátuo, um bota-de-elástico
um berda-merda de homem porque nem sequer chega a ser
uma merda de homem qualquer.
VI
Para que serve o poema então?...
Se ele não serve para cantar o amor
para falar do silêncio e da dor
para gritar contra a guerra e a fome
para criticar a injustiça que nos consome
para fazer abrir um novo dia num dia novo
a seguir à noite tenebrosa e escura
para fazer verter a raiva que sente o povo oprimido
e gritar bem alto este grito que há tanto tempo dura
na garganta reprimido…
…que se calem os poetas genuínos que o cantam
e o gritam, porque o grito daqueles que se vendem
e fazem o poema de encomenda não é grito nem ladrar
é antes guinchar qualquer coisa mal parida
entre um miar e um gemido.
http://www.alvarogiesta.com/
Alvaro Giesta é Cônsul dos Poetas del Mundo no Barreiro
http://www.poetasdelmundo.com/paises_europa.asp?IDPaises=170
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_europa.asp?ID=662














