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Quotidianos

O feitiço da encomendaPaulo de Jesus Pinto

Mais um esquisso para o canto dos poetas, com cumprimentos renovados para todos os colaboradores do "rostos".

1 min de leitura
O feitiço da encomenda Paulo de Jesus Pinto

Por Jornal Rostos

O feitiço da encomenda

Disseram-me, alguém, muito aqui,
Para eu sentir:
- Por que não faz um poema?!
Desse feito, loucura mais incógnita,
Já pouco me lembro, afinal,
Não fosse a memória esquecida
Avivar a brasa morta.
Mas… no resto da noite,
Baixo à minha Sereia do Tejo,
Colega adormecida no meu olhar.
Faço-me à razão do estro.
Deposito, afinal, o meu vapor
No calor quente do seu dormir.
Reparo então nos olhos belos
Cor doce-mel qu´encontro em si,
Na serena face que amansa a minha
Rumo a um sono em si folgado.
E se não conseguir rimar,
Já pouco me importa;
Importa apenas ouvir, sentir o seu dormir,
O silêncio repetido, apenas interrompido
Pelo meu olhar ruidoso.
Pintura d´encomenda
É sempre em mim feitiço.
Nem com régua ou esquadro
A consigo acabar.
Mas nas cores do seu vagar,
O meu descanso é d´ensurdecer
E apenas se cala com este escrever!

Paulo de Jesus Pinto

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