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Quotidianos

ÊxtasePor Manuel Costa

Um poema para recordar...

1 min de leitura
Êxtase Por Manuel Costa

Por Jornal Rostos

Êxtase

Numa praia, numa cama, numa esteira,
Aninhada, descuidada, deslumbrada,
Hei-de fazer amor contigo a noite inteira.
Nos meus braços
Ficarás até de madrugada,
Até a alvorada, timidamente,
Dar os primeiros passos.
No imenso lençol do areal,
Na colcha de losangos amarelos,
Na ráfia sabiamente entrelaçada,
Ficaremos num êxtase total.
Lentos, sonolentos,
Havemos de encontrar a claridade
De um dia absoluto, inesquecível.
Teu corpo, tua boca, teus cabelos,
Meu corpo, minha boca, meus cabelos,
Serão de mais, de menos, exigível
Resultado da paixão com que nós,
Abertos, despertos, libertos,
Alcançaremos enfim o paraíso.
E qual coro cantando a uma só voz,
Na alma traremos à solta, verdadeira
A paixão, e o desejo que é preciso,
Para fazermos amor a noite inteira,
Numa praia, numa cama, numa esteira.

Manuel Costa

(4/08/2009)

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