“memórias dos sentidos”Por Fernando Reis
Por Jornal Rostos
Poemas 8.
Entra-me incomodativo
o ruído do limbo do desejo
nos ouvidos
Lambo o néctar do silêncio
quando o silêncio me dói
e me atormenta
até ao mais profundo nervo
dos calos dos pés doridos
Iluminam-me no escuro
os teus gestos que me cercam
distraídos
Entorpece-me o gosto a sal
dos teus lábios
ébrios de prazer e de loucura
os sentidos
Poema 15.
Quando tu partires
os campos verdes deixarão de ser
eternos
e de florir
e a luz de abrir
em novo dia
Os pássaros deixarão de cantar
e a água dos riachos
de correr
Secará a fonte e até a serpente
que resiste ao inverno
longo e frio e duro
vai morrer
Nenhum sinal de vida ficará na terra
que te vai cobrir
E tu não ficarás também
Eleve-se ao Alto-Eterno
ao Além
mais alto que tudo
o teu espírito branco e puro
E o teu corpo
acolha-se num novo sol por abrir
e morra eu com a tua ausência
logo a seguir
Fernando AAlmeida Reis














