Em cada canto existimosPor Fernando Reis

Por Jornal Rostos
Em cada canto existimos
No escuro da noite, nos passos que percorrem
as suas veredas estreitas e sombrias
existimos;
Existimos na luz que nos alumia ou na falta dela;
Em cada brilho de estrela
em fuga cadente
também existimos.
Nos rios que correm e nas pedras mudas e cegas,
no seu grito ausente
existimos;
Na marcha e no uivo do vento,
nas pálpebras do tempo que corre e passa,
na sede arfante do mendigo que cai em desgraça
também existimos.
Existimos na voz que se ouve e não ouve
quando fica encravada no fundo da garganta
e não grita;
Existimos no punho fechado da revolta,
na esperança da mulher aflita que sofre as dores de parir
e grita e grita…
e amamenta o filho que mais tarde a há-de trair.
No copo de vinho que se bebe,
na côdea dura do pão que se come – é duro mas come!...
na frescura da fonte onde matamos a sede
existimos;
Na amora silvestre onde mitigamos a fome,
no sol da manhã e na brisa da tarde
nós existimos também.
Existimos na fé que nos guia quando não perdemos a fé
e a vida até nos sorri, por sorte;
Existimos enquanto pudermos gritar
e até que nos bata à porta a existência da morte.
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Alvaro Giesta de “do Meu Grito em Revolta”
http://www.alvarogiesta.com/














