Nas crateras do beijo e do silêncioPor Álvaro Giesta

Por Jornal Rostos
Poema 3. Nas crateras do beijo e do silêncio
Se te pudesse prender a mim
por um dia,
ganhava a esperança e a tua alma.
Ganhava o tempo
e o mosto do vinho novo crepuscular
das crateras do beijo
perdido em explosões de imponderáveis
desejos.
E morreria contigo!
Morreria no espaço do teu corpo
desejado,
No silêncio da palavra no verbo
no verde da giesta e da urze
no campo de trigo.
Subiria os degraus do altar do teu peito
virgem com sabor ao leite
da vida
que cresce em ti como um lacre
como o testamento do teu corpo
fechado no segredo dum cofre.
O fermento do pão o mosto do vinho novo
as maravilhas da noite
o teu sorriso imenso derramado em mim
como um rio…
Os espasmos, os verdadeiros espasmos
do teu corpo vibrante
em segredo…
Morreria contigo!
Poema 6. Na fome do beijo
No outro lado do mundo
tu
inteiramente ávida de prazer.
Gruta virgem esquecida nua
à luz da noite apagada
numa vertiginosa ânsia fria e crua.
Quando ao peito te aperto a sombra
de encontro ao meu esquecida
sinto os meus dedos que agarram o espaço
vazio
do teu corpo irrevelado.
Arrefecem-me os sentidos
porque te sinto eternamente morta
na distância inalcançável
do limite do tempo.
Fora de ti existes tu
e o mundo
e a esplêndida violência do teu cio
por nascer.
O teu regaço, quando quer, destrói o poema
e a luz do beijo inocente e puro
e o hálito
e o perfume da alma no primeiro sorriso.
As estrelas testemunham a minha loucura…
Na carne e no tempo que perdi
as mãos sustêm a fome
e dormem no silêncio da fonte
que lateja de prazer.
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Poema de Álvaro Giesta (pseudónimo)
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