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Quotidianos

“derribem do corpo as flores”Por Alvaro Giesta

Colaboração Poética

1 min de leitura

Por Jornal Rostos

Poema 20.

Feri os pés neste chão. Aqui nasci
vivi onde a luz me viu
e hei-de morrer.
Quis minha mãe que assim fosse
quando me pariu
e ao mundo vim sem vontade
de nascer.

Choraram as pedras dos caminhos
carpiu
toda a natureza.
Escoou-se-me do coração o sangue
e quase exangue
dobrou-se-me esta vida de incerteza

Poema 21.

Não adiem novas primaveras
nem peçam nunca mais
invernos frios
nem tardes outonais.
Deixai florir a esperança
e rir os olhos da criança
em novos madrigais.

Não se afogue o sonho do menino
inocente terno e puro.
Nem lhe roubem o destino
nem lhe revelem o futuro incerto
em que flutua.
Deixem-no sonhar ainda que nunca
chegue à lua.

Alvaro Giesta (pseud)

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