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Quotidianos

Janela dos sentidosPor Fernando Reis
BARREIRO

Um poema para os leitores de «Rostos»

2 min de leitura
Janela dos sentidos Por Fernando Reis BARREIRO

Por Jornal Rostos

Janela dos sentidos

Penetro na paz incómoda do silêncio da noite
com passos discretos para não ser descoberto,
onde o delírio dos sexos se afundam
em poços de prazer secretos.
Nestas noites que invento
há gritos mudos que amantes deixam gravados
na memória do tempo.

Persigo nos passos gravados na luxúria do teu corpo
que ficou na água que bebo,
segredos que canto no degredo do meu pensamento
na obsessão do beijo que desagua
na tua face ao amanhecer.
Procuro o reflexo do teu corpo na ausência que faz doer
o meu último desejo gravado com o sémen do prazer.

As fissuras da noite incomodam no seu grito
que faz eco no teu corpo infinito.
Línguas que se tangem em desvarios de mulher.
Corpos que se esquecem de saber respirar.
Vislumbro no teu movimento oscilante de estrelas
a geometria pura dos cristais que brilham
no silêncio das noites que foram nossas
de tantas noites iguais.

Pesa-me no peito um resíduo de saudade.
Falta-me o tempo para te saber olhar…
fujo para o infinito de mim mesmo onde me afago
em recordações de prazer.
Volto ao princípio da memória e deixo-me adormecer.

Olho as flores ao morrer do dia que se fecham, assim,
como quem mergulha para dentro de si mesmo
e cisma e prefere à vida a agonia.
Depois peço-te:
fala-me baixinho…
sim, muito baixinho para adormecer
em silêncio mudo até, se tu quiseres…
agita-me no teu embalar de sossego
em murmúrio, num afago…
faz de mim parte do teu sonho
murmura-me apenas as palavras que me souberes dizer
que eu leio nos teus lábios aquilo que tu disseres.

___________
Alvaro Giesta, de “de mãos vazias”
http://www.alvarogiesta.com
http://www.alvarogiesta.no.comunidades.net

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