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Quotidianos

O dia em que a noite ficou mais escura ainda…Por Alvaro Giesta

Poesia em tempo de férias,
na pacatez do campo com a praia morando ao lado e a miragem do mar distante…
Por cima o céu no seu azul longínquo e na escuridão da noite as estrelas, guardiãs do tempo, dum tempo novo que se deseja eterno.
Na mesa improvisada, ao lado da autocaravana em que me refugio,distraidamente aberto “O último coração do sonho” onde as palavras esperam por ser ditas.

Praia da Galé, 22/07/2010

2 min de leitura
O dia em que a noite ficou mais escura ainda… Por Alvaro Giesta

Por Jornal Rostos

O dia em que a noite ficou mais escura ainda…

… e eu,
solitário com os ossos nus do crepúsculo
a esvair-se em rubro sangue
que as veias azul-negro da noite vertem,
ira estampada
no rosto oco e sombrio do vazio

aqui, estático e só,
onde os desejos fremem sedentos de ser
alguma coisa diferente do nada,
caio
no abismo da noite fria.

penumbra por dentro de mim o sonho.

e lá fora ressoam os ecos, estampidos secos
das estrelas que cintilam sem a luz de outrora.
grita-me por dentro a ira.
irados,
ferem-me os tímpanos a vida e o deserto
que possuo nos espaços incomensuráveis de mim
neste lentíssimo progredir regredindo
labirinticamente nos secretos poços do deserto
da minha memória aturdida.

e grito.
um grito absurdo que já não ouves
na tua ausência dilacerada, um grito repetidamente
repetido “já não necessito de ti”.
basta-me a companhia nocturna do absurdo
e a peste que me envenena a alma
neste silêncio em que me abandono.

as galáxias do meu viver escondem-se
envergonhadas de mim no princípio de tudo
onde nada é sendo-se senão o fim
sem princípio de nada,
a não ser a loucura dos nómadas errantes
que se servem da mesma angústia gritante
para viver.

(dedicado ao poeta Al Berto)

Alvaro Giesta (pseud) – “onde os desejos fremem sedentos de ser”

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