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Quotidianos

Ao acordarPor Jorge Soeiro
Barreiro

O meu problema é que continuo a sentir
dentro da minha mente as cores da Primavera,
a energia quente do Verão aquecendo o meu coração...

1 min de leitura
Ao acordar Por Jorge Soeiro Barreiro

Por Jornal Rostos

Ao acordar

Se eu amanhã morrer,
no outro dia,
o céu vai continuar azul,
os passáros continuarão a voar,
os comboios continuarão a viajar rumo ao sul,
as árvores continuarão a manter os seus ramos verdejantes,
e, além, naquele lugar – um Hospital - seres humanos
continuarão a morrer e a nascer.

Será sempre assim, neste ciclo permanente de vida
de Primavera, Verão, Outono e Inverno.
No colorido das flores,
ao sabor das águas aquecidas,
passando pela ternura do Outono,
até ao silêncio das noites de Inverno.

O meu problema é que continuo a sentir
dentro da minha mente as cores da Primavera,
a energia quente do Verão aquecendo o meu coração,
a suavidade do Outono a percorrer o meu corpo,
e, por fim, esta recusa,
uma permanente recusa, de querer viver o Inverno,
que está, inevitavelmente a chegar,
mas que sempre, sempre, recuso sentir..!

Julho /92

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