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Quotidianos

Palavras [entre]DitasPor Alvaro Giesta

As minhas mãos são os beijos
inventados
nas palavras que ficam por escrever…
rumores de esperança em branco
corpo de mulher

2 min de leitura
Palavras [entre]Ditas Por Alvaro Giesta

Por Jornal Rostos

Palavras [entre]Ditas

As minhas mãos são palavras
pérolas preciosas
rio por nascer e mar
madressilvas e amoras
sequiosas
duma boca rubra por beijar

As minhas mãos são os beijos
inventados
nas palavras que ficam por escrever…
rumores de esperança em branco
corpo de mulher

As minhas mãos… quantas vezes
são o cruel triunfo das palavras
que me nego a escrever
e ficam emudecidas
e afogadas na garganta por dizer

As minhas mãos são o ópio
e a seiva são a folhagem
duma cama sempre verde
por fazer As minhas mãos
são as pernas são o corpo
e são o ventre sequioso do amor
ainda por nascer

As minhas mãos são a vida e são a morte
em tuas mãos depositada!...
são o corpo são água e são prado
e o azul As minhas mãos
em tuas mãos são a carícia da terra
amarga e perfumada
onde respiro e repouso de mim cansado

Procuro-te em tuas mãos de minhas mãos
o fruto e a nuvem
em coisas simples como o pão
como a água e a mesa onde te sentas
e chega maio florido… e as flores
para mim não nascem
se de mim te ausentas!

Alvaro Giesta (não escrevo pelas normas do acordo ortográfico)
Autor de “há o Silêncio em volta” – um livro, em poesia, do que ficou da memória dos anos de guerra colonial em Angola

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