O bordel espanholPor Manuel Alpalhão
Barreiro
Para descarga de taras e tensões
Recebe toda a tralha, toda a tropa
Mandando às malvas as reputações
Mesmo que seja só por uma nesga.

Por Jornal Rostos
O bordel espanhol
Foi há dias em Espanha inaugurada
Uma casa deveras singular;
Coisa nunca vista, nunca imaginada.
Ao pé dela, qualquer “Calor da Noite”
Tem ar de Rua da Betesga.
A maior casa de alterne da Europa
Para descarga de taras e tensões
Recebe toda a tralha, toda a tropa
Mandando às malvas as reputações
Mesmo que seja só por uma nesga.
Agora que os salários diminuem
E as pensões vão pelo mesmo trilho
Cento e sessenta mulheres se distribuem
Pelos quartos e suítes, no “vira milho”.
Ó martírio, ó inclemência,
Será que está periclitante
A saúde deste país de Goya e de Cervantes?
(Talvez sim, talvez.
Não é o país que dantes era,
E não são a gente que era dantes.)
O salero, o fandango, as zarzuelas,
A muleta, o passo doble, o relicário,
Nada são ao pé das “Consuelas”:
- O que conta é a lei do tarifário.
Manuel Alpalhão














